Copyright (c) 1992 by Penny Jordan
Originalmente publicado em 1992,  pela Silhouette Books, diviso da Harlequin Enterprises Limited.
Ttulo original: Tug of Love
Especial grandes autoras

Digitalizao e Reviso: Polyana Ribeiro




Redescoberta do Amor

(PENNY JORDAN)



RESUMO: Anos atrs Winter, abandonada pelo marido, teve de lutar para criar o filho sozinha. Agora, quando se sentia segura, James estava de volta!
James sabia que s ao lado de Winter e do filho poderia ser felliz novamente. Um dia tivera esta felicidade nas mos, mas deixara escapar. Agora estava disposto 
a recuperar o tempo perdido, mas ser que Winter acredetaria que ele realmente voltara por amor a ela, e no apenas por causa do filho?













CAPTULO I

- Winter, o que est acontecendo? Winter olhou para a xcara de caf que segurava, ciente de que no estava prestando ateno  conversa da amiga.
Win e Heather se conheciam h quase dez anos e, naquele momento, Heather sugeria que fizessem algo para comemorar o dcimo aniversrio do dia em que se encontraram 
pela primeira vez.
- Iremos a um lugar especial - disse Heather. - Menos ao hotel, pois no quero que nossa comemorao seja no seu ambiente de trabalho.
No era por Win ser recepcionista e gerente do hotel que Heather no queria comemorar l, mas sim pela amizade dela com Tom Longton, o dono.
Depois de se lembrar disso, Heather achou que a distrao da amiga pudesse ter algo a ver com Tom. Ento, resolveu tirar a dvida:
- Aconteceu alguma coisa? Tom...
- No. No  nada com ele.
Win no teria como esconder da amiga o que havia acontecido, alm do mais seu filho Charlie com certeza falaria para Danny, o filho de Heather, sobre a notcia que 
ele julgava maravilhosa.
Maravilhosa apenas para Charlie, porque para Win era a pior novidade que poderia ter tomado conhecimento.
- James est voltando - disse Win.
Ao perceber o olhar indagador de Heather, ela acrescentou:
- O pai de Charlie.
Win pde observar a expresso admirada da amiga, mas que no se comparava ao prprio espanto quando Charlie lhe informara durante o caf da manh, quatro dias atrs.
- Eu pensei que ele estivesse na Austrlia - falou Heather. - Lembro-me de quando Charlie foi passar um feriado com o pai h dois anos.
-  Continua l, mas parece que decidiu voltar. E no fao a menor ideia do motivo 
- Ser definitivo?
- Sinceramente, no sei. No temos mais nenhum contato pessoal. Alm disso, no existe razo nenhuma para termos.
- A no ser Charlie - Heather observou. - Ele respeita muito o pai, no ?
Win permaneceu calada por alguns instantes.
- Parece que sim. A despeito de ele ter ignorado totalmente a existncia do filho nos seis primeiros anos de vida dele.     
Heather sorriu, tentando confortar a amiga, pois sabia comol fora difcil para Win ter ficado sozinha com a responsabilidade! de criar uma criana.
Ela sabia das circunstncias do divrcio, pois no decorrer dos meses difceis que Win teve de agir por conta prpria confidenciara  amiga os fatos de seu casamento 
que geraram a separao.
Heather ficara chocada com tudo que Win falara, pois deveria ser traumatizante descobrir que o marido era infiel, ser abandonada logo depois do parto e no ter nenhum 
apoio da famlia, que havia sido contra o casamento por ach-la nova demais.
Win era uma pessoa muito reservada e em algumas ocasies at mesmo introvertida, resultado de todo sofrimento por que havia passado.
Heather no estranhava ela no ter se casado novamente, embora fosse bonita e atraente. Nunca demonstrara interesse pelos homens que se aproximaram dela, at ter 
ido trabalhar no hotel de Tom Longton.
Heather ficara muito surpresa quando Win comeou a aceitar os primeiros convites de Tom, e j fazia um ano que eles saiam juntos.
No incio, quando Tom demolira a casa de Georgian e anunciara que a transformaria em um hotel, todos caoaram dele, dizendo, que a cidade era pequena e no precisava 
de um hotel. Mas ningum levou em considerao a determinao de Tom e o benefcio da rodovia que proporcionou muito trfego e vrios hspedes para o hotel.    
Tom j falava em expandir o lugar, ampliar os quartos e comprar mais terra para montar um campo de golfe.
Ele era ambicioso, agressivo e arrogante. Sempre comparava as pessoas que no conseguiram se sobressair na vida a ele. Heather duvidava que Win se casasse com Tom, 
alm de ter de considerar a opinio de Charlie, ele teria de aceitar dividir a ateno da mulher que era totalmente dedicada ao filho.
Charlie fora muito frgil quando beb, por isso Win superprotegeu-o no o deixando livre para desenvolver-se individualmente.  proteo da me era tanta, que Win 
dava-se ao trabalho de levar Charlie  escola todos os dias, mantendo-o longe de algumas amizades.
Aos olhos de Heather, Win era uma me maravilhosa, mas ela sabia que a amiga sentia-se culpada pelo filho ter sido abandonado pelo pai quando beb.
- Por causa de Charlie, talvez eu tenha de me submeter a encontrar James novamente.
- Ento  por isso que Charlie est um pouco excitado - comentou Heather.
Win olhou durante um longo tempo para a amiga. Ela era menor que Heather, mas, como sempre usava saltos, parecia mais alta. Seus cabelos eram castanho-claros e normalmente 
os usava soltos, na altura dos ombros, contrastando com seu belo corpo esbelto.
-  Um pouco excitado? Ele est praticamente delirando, Heather. 
- Eu percebi. Parece que a chegada do pai deixou-o mais entusiasmado do que quando o time preferido ganha um jogo.
Ao ouvir as palavras da amiga, Win comeou a achar que sua vida iria virar um jogo quem sabe at um combate.
- Se James pensa que vai tirar Charlie de mim... seduzi-lo ou suborn-lo...
- Tir-lo de voc? Mas ele no pode fazer isso. Voc tem, a custdia, no ?
- Legalmente, sim. Mas Charlie adora James. Desde o feriado que passou em Sdnei com o pai, no consigo me lembrar de um s dia em que no tenha mencionado o nome 
de James. Se ele vier para esta cidade, acho que Charlie e eu vamos nos desentender. Ele no aceita Tom e, com o pai por perto, ficar ainda pior.
Win sorriu para Heather e continuou:
- E, para completar, Tom no facilita o entendimento com Charlie.  como assistir a dois touros batendo as cabeas.
Heather no pde conter uma risada, embora soubesse que a amiga estava completamente angustiada.
- Teme que com a volta de James as coisas ficaro mais difceis entre Charlie e Tom?
- Esta  uma das razes. O que realmente me assusta  a possibilidade de James convidar Charlie para morar com ele. Win fitou Heather por um momento e depois continuou 
a falar: - No acho que isto seja possvel, pois tenho a custdia de Charlie, mas se James convidar e Charlie quiser ir... Ele est muito empolgado com a volta do 
pai e no sabe como James se enfureceu quando anunciei minha gravidez.
Win permaneceu alguns instantes em silncio, recordando os fatos passados.
-  Charlie no foi planejado. Fui muito ingnua achando que mesmo sem tomar plula no ficaria grvida. Ns estvamos casados havia quatro meses e, como voc sabe, 
nem os pais dele nem os meus queriam o casamento.
- Deve ter sido muito difcil, Win.
- James tinha vinte e seis anos, e acabara de sair da universidade. Eu, dezenove. Todos diziam que deveramos esperar mais um tempo, mas como estvamos apaixonados, 
ou melhor, como eu estava... Da parte de James desconfio que era apenas atrao sexual.                                                                          
-  Por que pensa assim?                                              
- Eu era um modelo clssico de garota de famlia. A nica experincia que tive foi um beijo ou dois. Era inexperiente sexualmente e acreditava que os garotos s 
respeitavam as garotas que dissessem "no". E, para completar, eu tinha quatro irmos me rodeando o tempo todo. Tudo que eu quisesse fazer tinha de ser escondido.
- Onde James estava quando Charlie nasceu?
- Longe de casa. Quando ficou sabendo que eu estava grvida, James arrumou outro emprego, onde ganhava mais, porm tinha de viajar o tempo todo, quase nunca ficava 
em casa. Participava de uma conferncia enquanto eu estava no hospital. Tentei ligar para ele, mas "ela" disse que ele no estava.
Heather no tinha necessidade de perguntar quem era "ela", pois sabia da histria de como Win descobrira que o marido estava envolvido com a assistente pessoal dele.
- James nunca quis fazer nada por Charlie. Argumentava que o choro do beb deixava-o nervoso, e eu percebia o desgosto estampado na face dele toda vez que chegava 
em casa.
Heather escutava com muita ateno a histria triste da amiga.
- Talvez se meus pais no tivessem ido para Edinburgh... Se tivesse tido algum para me ajudar quando Charlie ficou doente... Senti muito medo, Heather. Charlie 
era to pequeno, to frgil, e com aquela horrvel gastrite. Pensei que ele fosse morrer.
- Oh, Win!
- Talvez eu pudesse ter falado com minha me, mas ela ficou to irritada quando desisti de frequentar a universidade para me casar, que no falei nada. Agora posso 
entender que eles estavam certos, mas no naquele tempo.
- E a me de James?
- Ela e o marido estavam no Canad, visitando uma filha. Era uma viagem que eles planejaram muito tempo antes e economizaram bastante dinheiro, eu no poderia estragar 
a alegria deles.
- Pobre Win! - falou, lembrando-se do nascimento de seu primeiro filho.
Heather estava com vinte anos, e o nascimento de Paul fora planejado e programado. Rick, seu marido, havia tirado um ms de frias e ficado com ela o tempo todo.
- Foi meu erro. James e eu nunca deveramos ter casado. Eu era muito jovem e imatura para ter uma criana. Talvez se eu tivesse me casado com um homem diferente... 
um que no fosse to egosta... Win mordeu os lbios.
-  por isso que estou com tanto medo, Heather. Medo de que James destrua as iluses de Charlie, que, apesar de adorar o pai, no o conhece direito. Eu sei que ele 
precisa da influncia e da orientao de um homem na vida dele, mas...
-  Voc tem certeza de que ele est vindo para ficar definitivamente, e no s para fazer uma visita?
- Parece que sim. Pelo jeito, ele quer transferir os negcios dele para c.
-  Por que no conversa com Charlie, Win?
-   muito difcil para mim falar com Charlie sobre o pai. Ele fica agressivo e mal humorado quando falo de James. Parece que est sempre pronto para defend-lo.
- J tentou explicar as razes pelas quais se divorciou do pai dele?
- Odeio pensar assim, Heather, mas espero que James revele ele mesmo tudo a Charlie, mesmo sendo a ltima coisa que quero que acontea, pois Charlie iria sofrer 
muito com isso.
Sei quanto foi difcil para voc, Win, ser abandonada, e James nunca ter se preocupado com nada. Voc no exigiu uma penso?
-  Ele sempre mandou dinheiro para Charlie, mas nunca gastei um tosto comigo.
-  Sei que no, e isso no deve ter sido fcil para voc, desde que James comeou a se interessar por Charlie, dando todos aqueles presentes caros e desnecessrios, 
a viagem...
- Acho que foi por isso que fui estudar. Precisava ter alguma qualificao e poder trabalhar.
-  Mas voc sempre trabalhou.
-  Na maioria dos empregos, sem nenhuma qualificao. De repente, descobri que era muito pobre a imagem que passava para Charlie. Queria que ele me visse como uma 
mulher realizada profissionalmente e bem-sucedida. Para falar a verdade, sentia cime do orgulho que ele sentia do sucesso do pai.  claro que, trabalhando em um 
hotel, no posso querer me comparar a James, mas no tem problema.
- Sei que voc  muito melhor que ele. Win, e tambm que a ltima coisa que quer para Charlie  que julgue e critique as pessoas por seu desempenho profissional. 
Voc trabalhou duro para encoraj-lo a crescer com exemplo de responsabilidade e fora de vontade.
- As vezes, sinto-me culpada por no poder fazer mais.
- E todas as tardes chuvosas e frias que voc vai assisti-lo a jogar futebol? Sempre fico furiosa com voc quando Danny volta para casa e argumenta que nunca fui 
assisti-lo. E o jogo de xadrez, a natao, o grupo de teatro?
-  Faz-me parecer que eu o protejo em excesso. Voc sabe que  preciso ser o mximo quando se  sozinha.
Heather percebeu como a amiga estava atormentada com a notcia do retorno do ex-marido.
-  Oh, Deus! Detesto pessoas que se atolam na culpa.
- Vamos mudar de assunto. Qual era a celebrao? Seu aniversrio de casamento que  daqui h um ms e meio, no ?
-  Sim, mas o que eu estava pensando era em comemorar nosso aniversrio.
- Dez anos que nos conhecemos! O que tem em mente?
- Oh, eu no sei... Um fim de semana com Tom Cruise, a me e dona de casa que se transforma em Julia Roberts - Heather falou enquanto Win sorria. - No, o que realmente 
pensei foi em um dia no spa.  algo que sempre imaginei. Todo aquele luxo e perdio.
-  Parece bom - Win concordou -, mas deve ser caro.
-  Ns merecemos isso, Win.
Heather observava a expresso de dvida de Win.
-  Charlie vem me pedindo um novo par de tacos e...
- No! - Heather interrompeu. - As vezes, voc estraga esse garoto, Win! No vejo nenhum problema em ele esperar um pouco mais pelos tacos.  hora de pensar em voc, 
Win...
- Talvez - Win assentiu, olhando para o relgio. - Deus! Precisava estar no servio h cinco minutos.
Heather acompanhou-a at o carro.
Quando Tom Longton lhe dera o emprengo, ele tambm dera um novo carro esportivo, que Heather suspeitava que Tom escolhera especialmente para Win, e no pelas razes 
comerciais que ela sempre defendia.
-  Quando exatamente James volta?
- No sei. Charlie no quis me falar, e eu no o pressionei, estou preocupada, pois pode ser mais rpido que eu imagino.
Win sorriu para Heather.
- Por que a vida tem de ser assim, Heather? Quando as coisas esto se ajeitando, que est tudo bem...
Heather sentiu o corao apertado ao ver a angstia e o desespero de Win, que desaparecia pela rua a caminho do servio.
Ser que Win j havia falado da volta do marido a Tom Longton?, Heather perguntou-se.


CAPTULO II

Win dirigiu-se rapidamente para o trabalho, pois no gostava de se atrasar. Preferia dar o exemplo de uma boa conduta no hotel, para no haver comentrios maldosos 
sobre a relao dela com Tom.
Depois de um longo dia de trabalho, sentia-se cansada, pois a tarde fora bastante agitada por causa da chegada inesperada de algumas pessoas ao hotel.
Win adorava seu trabalho, os desafios que ele proporcionava e as pessoas que conhecia diariamente.
Havia adquirido senso de responsabilidade e sentia-se satisfeita em poder usar de toda dignidade e competncia para realizar suas tarefas. Era orgulhosa de si mesma.
Win se lembrou de como zombara dos pais quando eles disseram que um dia ela se arrependeria de ter desperdiado a oportunidade de frequentar uma universidade. Ela 
cometera um grande engano, pois pensou que fosse ser sustentada por James.
Tambm se lembrou de quando James disse que desejava que ela fosse mais velha e que no se surpreendia com a atitude dos pais dela. Ento, Win abraou-o e beijou-o, 
enquanto James apertava-a, pressionando-a contra o sof.
Foi exatamente naquela noite que eles fizeram amor pela primeira vez, e Win ficou chocada e agoniada ao descobrir que sexo no era to maravilhoso quanto ela julgava 
que fosse.
James a havia confortado, assegurando que da prxima vez seria diferente e melhor.
Win sentiu-se triste e duvidou do que James dissera; mas quando aconteceu novamente, deu razo a ele e afastou todos os pensamentos tolos da cabea.             
O hotel de Tom ficava localizado h vrios quilometros da cidade, portanto, o caminho de volta para casa era sempre longo e demorado.
Era vero, e a paisagem proporcionada pela natureza parecia ainda mais bonita. Os campos ao longo da estrada estavam verdes, brilhantes e sombreados em algumas partes 
devido ao pr-do-sol que acontecia no horizonte.
Win sentia os msculos tensos e o corpo dodo.
De repente, num impulso, Win saiu da estrada principal e foi diminuindo a velocidade. Parou o automvel, desceu os vidros e tentou relaxar.
Sua cabea parecia estar sendo martelada pelas presses do dia-a-dia e pelo medo causado por causa da notcia da volta de James.
Encostou-se no banco e fechou os olhos, deixando os pensamentos flurem, descobrindo certos sonhos e necessidades.
Sonho  para adolescentes, pensou. No para uma mulher adulta.
Lembrou-se de que quando era garota sempre fora chamada de sonhadora.
Sorriu para si mesma.
Como falara para Heather, sua vida havia sido muito certa at o momento em que encontrara James.
Fora fazer compras a primeira vez que encontrara James. Ela andava em direo a ele, quando subitamente tropeara e machucara o tornozelo.
Win chorava e gemia, no conseguindo suportar a grande dor que sentia.
De repente. James abasiara-se ao lado dela, perguntando se podia ajud-la..
Ela no conseguia dizer absolutamente nada, pois a emoo de ver aquele homem parado a seu lado deixara-a paralisada.
Era o homem mais bonito que Win j vira: alto, forte, com cabelos castanho-escuros e pele bronzeada.
As mos que seguravam o tornozelo dela eram grandes, com dedos longos e unhas curtas e limpas.
Ele estava vestido formalmente, o que o deixava ainda mais sensual.
Win continuava sem dizer nada. o que permitira que James olhasse fixamente nos olhos dela.
Ela sentira o ar parar em sua garganta, Era a sensao fsica e emocional mais forte que j havia experimentado na vida e instintivamente, sabia que estava apaixonada.
James pegara-a pela brao e guiou-a at o estacionamento, onde o carro dele estava parado, dizendo que a levaria para casa.
Assim que ele comeara a dirigir, passara a conversar com Win, contando-lhe que havia se formado em Harvard e que tinha inteno de comear o prprio negcio com 
software para computadores, e que comearia logo, pois queria sair da casa dos pais.
Acabaram se apresentando formalmente, e James comentara:
- Winter no  um nome comum.
- Eu nasci em um dia de inverno muito rigoroso - explicara Win.
Aquele nome sempre a encabulou, ento, preferia ser chamada apenas por Win.
Depois daquele dia, fizera um corte de cabelo mais curto e sofisticado, usava maquiagem diariamente e tinha de aguentar as risadas dos irmos que viviam ridicularizando-a 
pela mudana radical.
Inicialmente, os pais de Win ficaram felizes por ela ter encontrado James. Ele era mais velho, maduro e sensvel. Algum que pudesse ser compreensivo e amoroso com 
ela.

Certo dia, em que todos na casa de Win foram viajar, James passara a intensificar suas carcias, que at ento haviam sido superficiais e contidas. Comeara desabotoando 
o suti de Win e lhe tocando os seios.
- Da prxima vez, eu irei beij-los - dissera James. - Ento ir sentir como  excitante.
Win estava desesperadamente apaixonada por ele, sem nenhuma defesa contra seus sentimentos.
Enlouquecia cada vez mais que experimentava alguma sensaco diferente mostrada por James, deixava-se envolver cada dia mais.
Ela o queria mais que tudo na vida.  
James  havia introduzido nas delcias do sexo, e Win, conrforme o tempo passava, mais apaixonada ficava.
Ningum nunca dissera a ela que o desejo sexual poderia ser to forte no homem quanto na mulher, e James no apenas havia dito, como provara-lhe.
James proporcionara a Win sensaes que ela jamais pensara que existissem, o que a predispunha a querer estar nos braos dele a todo instante.
Win ficara furiosa quando a me falara que o que ela sentia talvez fosse uma simples atrao, e no amor, que ela era muito nova para pensar em dividir a vida com 
uma pessoa que conhecera havia poucos meses.
Ela sempre se defendia dizendo que como ela estava com dezoito anos, os pais no poderiam impedi-la de se casar.
- E a universidade? - os pais protestaram. - E seu futuro?
James era o futuro dela.
Sempre que James sugeria que eles poderiam esperar um pouco mais, ela imediatamente comeava a chorar, acusando-o de no quer-la mais.                          
James abraava-a para confort-la e, logo em seguida, tudo ficava bem.
Depois da primeira vez que eles haviam feito amor, James a fizera prometer que iria ao mdico e que pediria um anticoncepcional.
Um beb s entraria nos planos deles depois de muito tempo que estivessem casados.
- Voc  muito nova. As vezes, acho que seus pais esto certos em dizer que deveramos esperar, mas eu quero tanto voc...
Eles se casaram dois meses mais tarde, contra a vontade dos pais.
Fora uma cerimnia rpida na igreja, pois Win no queria esperar mais tempo para ser mulher de James.
Compraram uma pequena casa na cidade e, por pouco tempo,  pouqussimo tempo, foram bem felizes nela.
James era delicado, gentil e amoroso, e fez com que Win revelasse toda a sexualidade existente dentro de si.
Compreensivo e generoso, ajudava-a nas tarefas da casa, que ela no dava conta de fazer. Envergonhada, Win temia no estar  altura do marido, e este, abraando-a, 
dizia-lhe que no se casara com ela por suas habilidades domsticas.
- Alm disso - James falara -, depois do Natal, voc vai comear a universidade e no ter tempo de passar e cozinhar.
Win estava contente de ser a mulher dele, no queria mais nada, mas James insistia para ela no desperdiar a chance de cursar a universidade.
- Por que preciso me formar? - ela perguntara. - No quero uma carreira, apenas voc e nossos filhos.
James olhara-a seriamente.
- Voc  muito jovem, Win. Pensa desta forma agora, mas no futuro...
Eles conversaram sobre este assunto durante vrios dias, mas, logo depois, apareceram os primeiros sintomas da gravidez de Win.
Ela escondera a novidade de James o mais que pudera.
Quando finalmente resolvera contar, ele ficara chocado e furioso.
-   muito cedo, Win. No conhecemos bem um ao outro. E, com o passar dos meses, ela descobrira que o conhecia muito pouco.
A famlia de James parecia pensar o mesmo que ele sobre a gravidez dela, achando que havia acontecido muito cedo em um casamento precipitado.
-   claro que eu no posso concordar em ir para a universidade agora - Win declarara.
James no duvidara um minuto que Win havia ficado grvida apenas para no frequentar a universidade.
J no stimo ms de gravidez, Win sentia-se muito desconfortvel. De estatura mignon, ela engordara muito e estava  bastante inchada.  vida amorosa deles estacionara, 
pois Win ficara to zangada por James no ter aceitado a gravidez dela que, quando ele havia tentado toc-la, ela o rejeitara.
Depois disso, nunca mais ele tentara novamente.
Win o desejava, mas no conseguia encontrar palavras para conversar com James, reconquist-lo, pois sua barriga avan tajada a inibia.
Ento, no jantar anual da empresa onde James trabalhava. Win reparara no jeito como Tara Simon olhava para ele. Como se insinuava para James com seu corpo delgado 
e esbelto, alm do fato do prprio James falar com ela com entusiasmo, tacando as qualidades dela para o trabalho; um tema que exclua Win completamente da conversa. 
O instinto de mulher de Win avisara-a imediatamente que Tara queria James.
Considerara tambm que James poderia estar interessado por ela, pois Tara era uma ruiva alta, bonita e atraente.
Os desentendimentos entre eles foram se tornando cada vez mais srios e definitivos.
James dormia em um quarto separado para no incomod-la, segundo a explicao dele, quando Win forara-o a falar o porqu daquilo.
Num sbado pela manh, James anunciara que ia ao escritrio.
Win telefonara para saber o horrio que ele voltaria para casa e quem atendera ao telefone fora Tara.
Naquele mesmo dia, a me de Win aparecera para vist-la
- Win, minha querida! Gomo esto as coisas?
Havia sido uma pergunta que no precisara de resposta bastava olhar para seus cabelos despenteados, para a blusa amassada, e para o rosto plido e inchado pela gravidez. 
A me olhara em volta e vira a baguna na sala de estar e a pilha de loua suja na cozinha.
Tudo estava sujo e desarrumado, incluindo Win, que admitira estar cansada o tempo todo para fazer as tarefas da casa e que, afinal, quem iria se importar?
James nunca estava ali e, quando estava, no permanecia muito tempo perto dela.
Win achava que ele vivia se perguntando o motivo de ter se casado com ela.
Sem dvida, teria preferido se casar com algum como Tara, que no tivesse ficado grvida acidentalmente, que cursara uma universidade e que tivesse uma carreira.
Bem, Win poderia ter ido a universidade se no tivesse se apaixonado por ele.
Lembrou-se do encontro na cidade com duas amigas do tempo de colgio e do espanto delas ao v-la grvida.
Com a ajuda da me, Win ajeitara a casa e lavara os cabelos.
A dor que sentia nas costas quando os lavava era to forte que precisara cort-los bem curtos.
Lgrimas umedeceram os olho? de Win.
O que teria acontecido com o amor deles?
Eram quatro horas da tarde quando James voltara para casa.
Percebera a expresso de alvio dele quando notara a limpeza da casa e os cabelos dela molhados.
James aproximara-se, colocando-lhe a mo no ombro e a beijara suavemente no pescoo.
No mesmo instante, ela sentira um cheiro de perfume estranho em James e percebera que era de Tara. Empurrara-o para trs e, possuda pelo cime e desgosto, gritara:
- No me toque!
Menos de um ms depois, ela fora para o hospital, e Charlie nascera, enquanto James estava longe... com Tara.
Quando ele havia voltado, Win j estava em casa, e lembrava-se de como James tinha franzido a testa ao ver o beb, quase evitando olh-lo, e nem tentara peg-lo 
no colo.
Ela fizera algumas tentativas para ver se reconquistava o amor de James ao menos para o filho deles, mas nada acontecera.
Win quisera colocar o bero de Charlie no quarto deles, perto da cama, mas James proibira-a, falando que Charlie deveria ficar no prprio quarto.
Quando Charlie comeara a sofrer de gastrite, Win considerara-o culpado. Se ele tivesse deixado Charlie dormir ao lado deles, o beb no teria ficado doente.
Sabia que estava sendo injusta, mas era tarde demais para voltar atrs com as palavras e, alm do mais, que diferena faria? Se pelo menos James a amasse...
Confirmando a certeza de Win, seis meses se passaram sem que James voltasse para casa.
Certa manh, o telefone tocara e Win reconhecera imediatamente a voz de Tara.
- Se est preocupada com James, no h necessidade - ela falara. - Ele passou a noite comigo Est entendendo, Win? Win colocara o telefone no gancho sem ter condio 
de responder absolutamente nada.
Seu corpo doa, a cabea latejava e os msculos ficara cada vez mais rgidos.
Descontrolada, pusera Charlie no carrinho e caminhara durante horas para tentar se recompor do efeito da notcia de Tara
Quando James voltara para casa, Win pedira o divrcio.
James havia tentado argumentar, mas ela se recusara ouvir ou at mesmo a mencionar o caso dele com Tara.
Era orgulhosa demais para isso. Orgulho e dor.
A famlia fora contra a deciso que havia tomado, argumentando que ela deveria considerar Charlie, a importncia de ele crescer com o pai, mas Win permanecera inflexvel.

Um pouco mais calma, Win voltou a dirigir o carro pela estrada principal.                                                                 
Havia muito tempo que ela no pensava tanto no passado.
Naquele momento, podia reconhecer que fora ingnua, imatura e muito generosa em algumas ocasies.
Imaginou-se adolescente com a maturidade e a experincia que havia adquirido.
Sorriu para si mesma.
Sua famlia tinha razo. Era muito nova para se casar e cuidar de uma casa.
Win remexeu-se no banco. Reconhecia que contribura para a maioria dos desentendimentos entre eles. James no estava pronto para assumir o compromisso de uma criana. 
Na verdade, o que queria mesmo era ficar com ela longe dos olhos protetores da famlia de Win.
Porm, qualquer que fosse a razo original do casamento deles estava tudo acabado.
O tipo de relao que ela e James viveram certamente no era o que queria viver com um outro homem.
Havia sido muito submissa. Jamais seria novamente daquele jeito. Nunca cometeria os mesmos erros que cometera com James.
Da prxima vez, seria diferente...
Sentiu o corao bater mais forte.
Ainda no contara a Charlie o que Tom havia proposto a ela. Mas tambm nem sabia se aceitaria ou no.
Gostava dele e admirava-o, mas, algumas vezes, se perguntava se realmente ele a amava.
E ela o amava?, perguntou a si mesma.
Win olhou para o horizonte.
Havia trs meses, enquanto Charlie estava em uma viagem escolar, ela e Tom fizeram amor. Fora a primeira vez depois de James.
Talvez porque fosse mais madura e mais velha, a experincia, de alguma forma, no alcanara suas expectativas.
Nenhum dos dois falou nada sabre o que acontecera,  claro, mas ela sentiu que Tom havia ficado desapontado tanto quanto ela.
Talvez as coisas pudessem ser melhores no futuro. Mas quando teriam uma nova oportunidade?
Lembrou-se de ter dito a Heather que havia coisas muito mais importantes do que sexo em uma relao.
Enquanto ligava o motor do carro, refletiu se o casamento dela com Tom no iria aproximar Charlie do pai.
Se ao menos Tom pudesse ser mais amvel com Charlie, e se Charlie evitasse mencionar o nome do pai em todas as conversas...
Win lembrou-se de como Tom ficara furioso quando Charlie comentou sobre a volta do pai da Austrlia.
- Se ele  to maravilhoso como Charlie diz, surpreende-me voc no estar casada com ele at hoje - comentou Tom.
- Ele  o pai de Charlie - Win defendeu o filho.
E quando ela sugeriu a Charlie que no era uma boa ideia citar o nome de James sempre que Tom estivesse l, Charlie protestou:
- Por que no devo? Ele  meu pai!
O problema era que Charlie estava comeando a crescer e a ter suas prprias opinies.
Quando se aproximava da cidade, ela escutou o sino da igreja tocando. No se dera conta de que o tempo passara rapidamente.
Charlie havia avisado que ia passar a tarde com um amigo assistindo a um jogo de futebol na televiso.
A casa em que morava com o filho era a mesma que James havia comprado quando eles se casaram.
A nica diferena era que agora possua um jardim na frente que ela mesma cuidava e havia sido pintada por ela e po Charlie no ano passado.
Se Tom ficasse sabendo, ficaria horrorizado e argumentaria que poderia ter mandado um empregado do hotel para fazer o servio, por isso Win preferiu nem comentar.
Uma das coisas que havia aprendido era a importncia de ser independente.
Conforme se aproximava de sua casa, percebeu que havia um carro parado em frente ao jardim. Era o ltimo modelo do Daimler.
Parou cuidadosamente atrs dele, ciente de que Charlie tinha sua prpria chave e de que obviamente o pai do amigo teria ido lev-lo para casa e Charlie convidara-o 
a entrar.
Deveria se desculpar pelo atraso e rezar para que o pai do amigo dele no a julgasse uma me negligente por deix-lo sozinho em casa.
Foi muito difcil para Win libertar-se da culpa que sentia quando saa para trabalhar, mas Heather a incentivara:      
-  Charlie pode ficar conosco por algumas horas se for necessrio. Precisa deste emprego, Win. No s pelo dinheiro, mas por voc mesma. A nica coisa que tem feito 
 se dedicar cada vez mais a Charlie.
Sempre se lembrava do incentivo de Heather e, naquele: momento, reconhecia quanto a amiga estava certa.
Win ouviu o som da televiso assim que entrou no hall. A porta da sala de estar estava aberta, e Charlie gritava excitado:
-  isto! Voc viu, pai? Viu o jeito que ele defendeu o gol?
Pai!
Win gelou. Ficou tensa s de ouvir a pronncia de uma simples palavra.
- Certamente, ele tem um bom domnio.
Win no ouvia aquela voz havia onze anos, mas teria reconhecido mesmo que fosse mil anos depois.
Nenhum sotaque australiano, a mesma voz que uma vez havia sussurrado quanto a queria, quanto a amava. A mesma voz que chamava pelo nome dela nas noites frias e escuras, 
desejando o corpo dela.
A mesma voz que a condenou por receber a criana deles.
Controlando as emoes, Win respirou fundo, ergueu os ombros, empurrou a porta da sala de estar e entrou.


CAPTULO III

Charlie sabia muito bem que a ltima coisa que ela queria era James morando debaixo do mesmo teto que eles, e por no ter feito nenhuma restrio ao pai, Charlie 
teria uma grande decepo.
Sua fria no era apenas em relao ao filho, pois ele no teria planejado nada sozinho.  claro que James estava por trs daquela histria absurda e ridcula.
- Se isso  algum tipo de brincadeira, James...
- No da minha parte - informou o ex-marido.
- Bem,  bvio que sabe que no pode ficar aqui.
-  Por que ele no pode?
Win virou-se para Charlie e respondeu:
- Voc sabe por qu. Ns estamos divorciados.
- S porque quer se casar com outra pessoa, no significa que ele no seja meu pai.
Win sentiu um grande choque. Ela no falara nada a Charlie e achava que o filho no fazia ideia da inteno de Tom querer se casar com ela.
Como Charlie poderia acus-la daquela forma na frente de James?
- Quero o meu pai morando aqui comigo - Charlie insistiu - Alm do mais, esta casa tambm  minha.
- E minha.
As palavras foram murmuradas num tom to baixo que apenas Win pode ouvir.
Ela olhou atentamente para o filho e depois para o ex-marido O que James estava tentando dizer a ela? Ser que ele estaria forando-a a sair e deix-lo com Charlie?
 claro que no poderia dividir a casa com James, mas a determinao de Charlie estava obrigando-a a aceitar o grande desgosto de t-lo junto com eles, invadindo 
suas vidas.         
A relao dela e do filho estava ficando extremamente difcil. Charlie queria o pai por perto e resolveu puni-la pela relao existente entre ela e Tom.
- No posso acreditar que queira ficar aqui, James - Win falou calmamente, disfarando o nervosismo que sentia.
- No? Meu flho mora aqui e, para ficar mais tempo com ele, vou ficar na mesma casa que ele.
Win teve de fazer um grande esforo para poder se controlar, pois seu corpo inteiro ficou trmulo e frgil, e estava prestes a fazer algo que no fazia havia anos: 
chorar.
No, isso ela no faria. No na frente de James.
-  No pense que no sei o que est planejando, James. Mas voc no vai vencer!
Win olhou para Charlie com um sorriso forado nos lbios e disse:
- Bem, Charlie, parece que temos um hspede.  melhor levar seu pai para cima e mostrar-lhe o quarto disponvel.
-  Eu j o conheo.  o quarto que era nosso, lembra-se? Alm do mais, Charlie e eu j levamos minhas malas para l, no  filho?
Win no se conformava com a ousadia daqueles dois traidores.
- Me, estou com fome - Charlie anunciou. 
Enquanto preparava uma rpida refeio, Win refletia sobre a estranha atitude de James de querer morar ali com eles.
Tudo que queria fazer era sair correndo dali para poder esconder os efeitos que o choque causara em seu corpo. Mas no poderia nem ao menos se trancar no quarto 
por meia hora sem que Charlie questionasse o que estaria fazendo, e, com isso, James perceberia como ela era frgil e descontrolada.
Oh! Definitivamente, ele conseguira abat-la.
Por quanto tempo ainda conspiraria com Charlie para tentar venc-la?
Charlie sabia que ela no concordaria em ter James morando com eles, e, instintivamente, sua raiva no se concentrou apenas no filho, mas em James tambm.
Charlie era apenas uma criana, embora tivesse condies de saber que o que estava fazendo era errado, mas James poderia ter encorajado Charlie a fazer o que fizera.
Como Charlie poderia aceitar a importncia de ser honesto e fiel se o prprio pai ensinara o oposto?
Win lutara muito para mostrar a Charlie os valores em que acreditava. No fora fcil, pois muitas vezes Charlie mostrava-se rebelde e nem sempre aceitava os cdigos 
de tica que Win impunha.
Quando discutira o assunto com Heather, a amiga consolou-a:
-  Danny tambm  assim. Todos so. Acho que  a fase mais crtica desta idade.
-  Voc no acha que  porque Charlie no tem pai? Win perguntara a Heather. - Tudo o que fao parece errado. Ele prefere ouvir os professores na escola a mim. E 
detesto desprezo que ele est dando  mulher, Heather.
- Entendo o que quer dizer, Win. Danny est fazendo o mesma coisa que Charlie. Surpreendi-o falando a Jenny na semana passada que ele no ia mais ajud-la a lavar 
loua porque aquilo era trabalho de mulher. No sei de onde ele tirou esta ideia.
Win sorrira, aceitando o comentrio da amiga, e resolvera testar o machismo de Charlie.
- Sei que no  fcil, Win. Tive at de pedir a ajuda de Rick para poder conversar com Danny.
A conversa s servira para reforar ainda mais a culpa de Win. Era necessria a presena de um homem na vida dele.
E claro que se os irmos e os familiares dela morassem perto, teria ajudado, mas eles estavam distantes e a hiptese de visit-los era invivel.
Anos atrs, Win precisara de um novo casaco de inverno e estava com pouco dinheiro para adquiri-lo. Heather argumentara que se ela comprasse menos roupas caras para 
Charlie, poderia ter condies de comprar algo decente para si mesma. Win falara que as roupas de Charlie vinham do dinheiro do pai e que era muito orgulhosa para 
tocar em um s centavo daquele dinheiro para comprar alguma coisa para ela.
- Voc vai comer conosco? - Win perguntou a James.
Ela tinha de ser fria para no permitir nenhum tipo de intimidade, e achava que com o passar de pouqussimo tempo, James abandonaria a casa, pois para um homem rico 
como ele e com certa posio social deveria ser difcil viver em uma casa to modesta.
Ao se lembrar disso, achou ridcula a pergunta que fizera a James, pois com certeza ele iria sair para comer alguma coisa.
- Espero que prefira comer fora. Charlie e eu sempre temos refeies simples, e esta noite preparei algo rpido porque vou sair mais tarde.
- Verdade? Ento talvez seja melhor eu sair com Charlie para comermos algo na rua.
- No! No ser necessrio.
James olhava diretamente para ela, e Win estava muito concentrada para desviar a ateno. Podia ver a avaliao nos olhos de James e sabia que ele observava as fraquezas 
dela, esperando o momento que se rendesse.
Esforou-se para desviar o olhar e colocar-se em defensiva, pois j vencera situaes, piores que aquela.
Voltou para a cozinha, pensando em como James tiraria Charlie dela.
Com as mos trmulas, abriu a porta da geladeira. Lgrimas umedeciam seus olhos.
Controlou-se para no chorar, pois no fazia isso desde que Charlie cara da bicicleta quando estava com cinco anos. Lembrou-se de ter se sentido sozinha e com muito 
medo.
Seus pais foram embora para Edinburgh, onde a me dela havia nascido, e Heather e a famlia estavam viajando em frias.
No existia ningum com quem ela pudesse dividir a dor ou a culpa.
Charlie havia se recuperado,  claro. O ferimento fora muito superficial, mas mesmo assim ela no deixou de se culpar por no ter algum com quem pudesse dividir 
as preocupaes, algum para ajud-la e para am-la.
Desde ento, ela se policiou para tambm no ter ningum que pudesse mago-la.
Win era sempre cautelosa em sua relao com Tom, pois tinha vrios motivos para considerar. Um deles era a antipatia existente entre Charlie e Tom, outro a experincia 
sexual que compartilhara com Tom, que ajudava para que ela no se envolvesse demais.
O que menos queria naquele momento era reviver todos os tormentos, os perigos, as emoes e as sensaes desconfortveis que vivera com James.
- Posso ajudar em alguma coisa? - James perguntou atrs dela.
Win estremeceu, pois no ouvira James entrar na cozinha, mas tinha conscincia de que ele estava bem atrs dela.
- No, obrigada. Posso me virar sozinha.
A cozinha era muito pequena, e Win no queria que James permanecesse ali.
- Charlie no ajuda voc? - James perguntou, gesticulando em direo a mesa que estava cheia de coisas.
-  Dividimos as tarefas - Win respondeu, hesitando em dizer que o filho no queria fazer mais nada.
Ela no tinha mais a ajuda de Charlie para preparar as refeies, e mordeu o lbio ao se lembrar do fim de semana em que ele havia se recusado a arrumar a cama dele.
Para seu alvio, ouviu Charlie chamando o pai da sala de estar:
- Pai... pai, venha assistir a isso!
Assim que Win se virou, percebeu que James ainda estava atrs dela.
Ele no voltara para conquistar o corao de Charlie? Por que ento estaria hesitando em atender ao chamado do filho?
-  Charlie est te chamando - ela falou.
- Sim... eu ouvi.
Assim que James saiu da cozinha para juntar-se a Charlie, Win pensou que a falta de experincia e de maturidade que uma vez existiu entre ela e James no existia 
mais, e que certamente no era necessrio fazer nada para provar. Exceto que o lugar de Charlie era com ela. Terminando de preparar o jantar, lembrou-se de que no 
sabia nem como cozinhava um ovo ou como se passava uma camisa quando se casara com James.
A refeio que estava preparando era uma salada mista com vegetais, legumes e frios, que sabia que alm de ser nutritiva, Charlie adorava.
Win tinha sorte com Charlie em relao  comida, pois ele nunca se recusara a comer absolutamente nada.
Como sobremesa, Win separou alguns morangos para comerem com o sorvete de creme favorito de Charlie. O sorvete que ela mesma havia feito.
- Est pronto, Charlie! Suba, por favor, e lave as mos. Sem obter resposta, Win fechou a porta da geladeira e dirigiu-se para a sala de estar.
Charlie estava sentado no cho, com a cabea apoiada nos braos, vidrado na tela da televiso.
- Charlie, eu disse que j est pronto.
- S quero acabar de ver isto.
Win tinha certeza de que a programao que estava passando no era de nenhum interesse para o filho e de que se estivessem apenas ela e Charlie, teria o repreendido, 
mas hesitava na frente de James.
De repente, condenou-se por deixar James interferir no relacionamento dela com o filho, pois ele nunca se preocupara com nada, e Win no deveria dar importncia 
para o que ele pudesse ou no pensar.
Ficou parada  porta, furiosa consigo mesma e com o jeito com que James manipulava Charlie e at mesmo ela. De sbito, James se levantou, caminhou para perto da 
televiso e desligou-a.
- Faa o que sua me mandou, Charlie - ele ordenou. Win no saberia dizer quem estava mais chocado com a atitude de James: ela ou Charlie.
Assim que Charlie subiu, Win olhou para James e disse:
- Obrigada, James, mas sou perfeitamente capaz de lidar com Charlie sem a sua interferncia.
- Tenho certeza de que sim. Mas parece que Charlie precisa de ajuda para reconhecer isto, no ?
Depois de ter dito aquilo, James se virou, dando as costas para Win.
- Aonde voc vai?
James parou no meio do hall, olhou fixamente para ela e respondeu:
- Subir para lavar minhas mos. No  o que um bom pai faria? No apenas fazer uma criana obedecer, mas dar o exemplo tambm.
James subiu, e Win ficou observando-o.
Quanto tempo ela poderia conviver com aquele tipo de presso?
Comeava a entrar em pnico!

Win lavava algumas louas na pia enquanto James e Charlie comiam.
Ento, ouviu James fazendo um comentrio:
- A mame cozinha bem, no , filho?
-  a receita especial dela - informou Charlie.
Ao ouvi-los, Win desejou saber se James se lembrava das desastrosas refeies que ela tentava preparar para ele nos primeiros meses de casamento.
Se ela podia surpreend-lo com uma simples atitude de cozinhar, ento talvez houvesse esperana de ser mais esperta que ele.
Win no resistiu  oportunidade de provoc-lo um pouco.
- Eu e Charlie gostamos de experimentar novas receitas, no , Charlie?
Sem esperar que Charlie respondesse, ela logo acrescentou:
- Achava que eu ainda no havia aprendido como cozinhar um ovo?
-   claro que no. O que acho  que, como  uma me trabalhadora, voc no tem muito tempo para ficar cozinhando. Vou comprar um forno de microondas para voc.
Win sentiu o rubor queimar sua face, mas, de alguma forma, teria de se controlar para no perder a pacincia com James.
Esforou-se para ignorar o comentrio, perguntando a Charlie se ele ainda queria ver um vdeo que havia mencionado no dia anterior.
Win era uma pessoa calma, controlada e paciente, mas, no espao de poucas horas, James conseguira abalar todas as qualidades dela.
- Vamos, filho. Eu e voc lavaremos a loua - James sugeriu. - Assim, daremos a chance de sua me se arrumar para o encontro dela.
No mesmo instante, o telefone tocou, e Win foi atend-lo. Era Tom do outro lado da linha, confirmando o horrio que passaria para peg-la.
- No, eu no me esqueci - ela assegurou a Tom.
Ela ficou ainda mais tensa ao perceber o silncio atrs dela, como se estivessem prestando ateno ao que ela falava.
- Sim, estarei pronta s oito.
Quando se virou, notou que Charlie olhava-a com uma expresso mal humorada.
- Era Tom - Win disse ao filho. - Ele... ns vamos sair hoje  noite.
Ao falar, lembrou-se de que teria de ligar para Heather para cancelar os arranjos que fizeram de Charlie passar a noite com Danny, pois no seria necessrio. Ele 
jamais sairia tendo o maravilhoso e o precioso pai ao lado dele.
Sentia-se exausta. Fazia muito tempo que no se abatia daquela forma com alguma coisa, mas tambm o choque havia sido muito forte e era impossvel no deixar se 
abater.
Sabia que Charlie estava ressentido porque ela ia sair com Tom, enquanto James sondava o ambiente impaciente e curioso.


CAPTULO IV

Win estava pronta para subir, quando James veio em sua direo. Ele fechou a porta da sala de estar, olhou fixamente para ela e perguntou:
-  Diga-me uma coisa, Win. Voc tem o hbito de deixar Charlie sozinho enquanto sai com seu amante?
A acusao de James foi to inesperada que, por um momento nada lhe ocorreu para defender-se, apenas ficou possessa com a atitude do ex-marido.
Sentiu a cabea latejar e as mos tremerem.
- Nunca deixo Charlie sozinho.
- Deixou esta tarde.
-  Ele falou que estaria na casa de um amigo. E, hoje  noite, j havamos combinado que ele dormiria na casa de uma amiga minha.
-  Passaria a noite toda? Muito conveniente! Por que no leva Charlie para um dos inmeros quartos disponveis do hotel enquanto fica em outro com seu amante?
- Como pode dizer uma coisa dessas? Alm do mais...
- Alm do mais o qu?
- Voc no tem nada a ver com minha vida particular.
-  No. Mas Charlie tem. Ou ser que no sabe que ele no gosta do seu amante e que certamente no o aceitar como padrasto?
Win ficou furiosa por Charlie ter discutido a relao dela e de Tom com James, mas no podia fazer nada.
-  claro que sei. Charlie  meu filho. Ele  a pessoa mais importante da minha vida.
- ? Seu amante sabe disto?
Com raiva, ela se virou e subiu as escadas sem responder, afinal, o que poderia dizer?
No quarto, telefonou para Heather, e logo que ela atendeu percebeu que havia algo de errado pelo tom de voz de Win.
-  Heather, eu no posso falar sobre isso agora. Talvez amanh...
Tom chegaria s oito horas e j era mais de sete naquele momento. Ainda teria de tomar banho, lavar e secar os cabelos, mudar de roupa, maquiar-se e o principal, 
tentar se acalmar e se controlar para poder descer e dizer "boa-noite" a Charlie antes de sair.
Porm, ela no teve coragem de descer at o momento em que Tom parou o carro na frente da casa.
Aborrecida consigo mesma por consentir que James a dominasse daquela forma, Win foi at a sala de estar onde James e Charlie conversavam alegremente.
- No se esquea de ir para a cama s dez horas - Win lembrou-o, tentando afastar a dor causada pela rejeio de Charlie.
Deixando os dois em frente  televiso, dirigiu-se ao hall de sada.
Estava quase abrindo a porta, quando James a chamou. Tensa, virou-se, pronta para ouvir o que o ex-marido ainda lhe diria.
- Sei que  duro Win, mas tente entender. Aos olhos de Charlie, voc o est rejeitando em favor de outro homem. Ele  ciumento, e isto machuca... Meu Deus, como 
machuca.
-  Obrigada, mas no precisa explicar os sentimentos do meu filho para mim.
- Nosso filho. Nosso filho, Win. No apenas seu.
O corao de Win batia acelerado conforme caminhava ao encontro de Tom.
Tom esperava-a no jardim e ficou espantado ao v-la plida e nervosa.         
- O que h de errado?
-  No quero falar sobre isso agora - Win justificou-se suavemente.
Ela ainda no estava pronta para dizer o que acontecera. Precisava de um tempo para se recompor do choque que James causara nela.
Tom a convidara para jantar em um novo restaurante que fora inaugurado na cidade, para ver se poderia acrescentar mais algum prato do cardpio ao de seu hotel.
Algumas vezes, Win desejava que ele fosse menos ambicioso.
Ser bem-sucedido na vida era muito bom, mas existia outras coisas que tambm eram importantes como, por exemplo, ter uma famlia.
-  Belo carro - Tom observou, olhando para o Daimler de James. - Algum deve ter estacionado em lugar errado. Voc sabe quem  o dono?
-  Pertence ao pai de Charlie. Tom virou a cabea para fit-la.
-  Pensei que ele estivesse na Austrlia.
- E estava. Entretanto, decidiu voltar. Ele quer ficar mais perto de Charle.
Win esperava que Tom fosse um pouco sensvel ao ponto de confort-la diante da situao to difcil, mas isso no aconteceu.
-  O que quer dizer, Win? Que ele decidiu mudar-se para c? No  definitivo, ?
Win concordou com um gesto afirmativo de cabea, tentando desfazer o n que tinha na garganta.
Passara por um grande sofrimento quando se divorciara de James, e agora sentia-se chocada com o fato de ter James morando na mesma casa, saber que havia sido convidado 
por Charlie e imaginando que ele pretendia tirar o filho dela, induzindo-o e seduzindo-o.
Algumas lgrimas rolaram pela face de Win enquanto dizia:
-  Ele quer Charlie, Tom, eu sei. E est pronto para destruir minha relao com Charlie. Ainda mais agora, morando conosco...
-  Morando com vocs?
-  Exatamente o que eu disse. Quando voltei do trabalho esta tarde, descobri que Charlie convidara o pai para morar conosco.
- E voc deixou? Por Deus, Win! Tenho tentado preveni-la do problema que enfrentaria com este monstrinho te dominando, ditando ordens  sua vida.
-  Charlie no  um monstrinho!
-  No aos seus olhos. No me fale que simplesmente vai aceitar e deix-lo ficar? O que as pessoas vo pensar quando souberem que seu ex-marido est morando com 
voc ao mesmo tempo que samos juntos?
-  No  bem assim.
-  Ento mande-o embora.
-  No posso! Por um lado, ele  dono da metade da casa e, por outro... Tom, estou com medo de que ele convena Charlie a ir morar com ele. Legalmente, eu tenho 
a custdia, mas se Charlie escolher ficar com o pai...
-  Sabe o que eu acho? Seria a melhor coisa que poderia acontecer, Win. "Voc sabe que no nos damos muito bem e a ltima coisa que quero, quando nos casarmos,  
ter um adolescente ciumento e chato entre ns. Um dia, teremos nossos filhos, e no quero correr o risco de deixar um deles sozinho com Charlie.
-  Tom, voc est sendo completamente injusto! Win estava horrorizada com a sugesto de Tom.
-  Desculpe-me, mas  como vejo a situao. As crianas conseguem te enganar, Win.
-  Isto no  verdade!
 claro que a noite no foi um sucesso. Tom fora grosseiro, estpido e agressivo, fazendo Win sentir-se desconfortvel e perceber como ele era insensvel em relao 
a Charlie.
Uma voz interior perguntava a Win se aquele era o tipo de homem com que pretendia se casar. Algum to diferente dela e que no poupava crticas a Charlie.
Fechou os olhos para visualizar uma vida onde no existisse problemas, onde tudo pudesse ser perfeito e tranquilo.
No fim da noite, sentia-se totalmente exausta emocionalmenta.
Quando Tom parou o carro em frente  casa dela, Win abriu imediatamente a porta para sair.
-  Ser que no pode esperar um minuto para juntar-se novamente a eles?
- Desculpe-me se estraguei sua noite, Tom.
Win falou com pesar, mas o que sentia na realidade no era culpa, e sim irritao.
- Bem, acho que a culpa no foi sua.
De repente, Tom puxou-a para perto dele e beijou-a intensamente.
Win tentou dizer a si mesma que havia gostado, que no ficara excitada com o beijo porque no era mais a adolescente de anos atrs, que delirava com um simples toque 
de James.
Quando Tom soltou-a, ela deu um suspiro de alvio.
-  J sei! - disse Tom. - Sei como pode conseguir que seu ex-marido v embora.
O que ele estaria querendo dizer? James os teria visto? Imediatamente, Win olhou para a casa e relaxou ao ver que tudo continuava como antes, logo em seguida, Tom 
acrescentou:
- Deve contar a ele sobre ns.
-  Charlie j contou...
Naquele momento, percebeu que no amava Tom o suficiente para casar-se com ele, j no tinha certeza nem mesmo se gostava dela.
Saiu do carro ciente de que Tom no a acompanharia at a porta, pois nunca agira assim. Tom tinha modos rudes, impacientes e nunca perdia tempo com o que achasse 
desnecessrio.
No mesmo instante, Win lembrou-se de quando fizeram amor, logo em seguida ele fora tomar banho em vez de ficar ao lado dela, abraando-a ou beijando-a.
Envergonhou-se por pensar daquele jeito, ento, abriu a porta de entrada.
A casa estava em total silncio.
Win olhou no relgio e notou que eram quase meia-noite.
Empurrou a porta da sala de estar e assustou-se quando viu a televiso ligada com o som bem baixo.
Seu corao disparou ao ver James dormindo no sof. Era muito pequeno para ele, e, provavelmente, se dormisse ali, acordaria no dia seguinte com dores no corpo inteiro.
Dormindo, ele parecia muito mais sereno e calmo, diferente do homem que Win tanto temia.
James dormia com a cabea apoiada nos braos, exatamente como Charlie, e ela se surpreendeu ao perceber que estava quase fazendo o que fazia com Charlie enquanto 
ele dormia. Por pouco, no o beijou levemente na testa e afagou-lhe os cabelos.
A camisa de James estava desabotoada, e Win desejou saber se ele ainda teria a mesma pinta do lado esquerdo do peito.
S voltou  realidade quando se descobriu quase tocando a pele de James.
Seu corao disparou enquanto se inclinava para trs, pensando no que poderia ter acontecido se tivesse tocado James. O que ele pensaria?
Assustada, resolveu sair da sala o mais rpido possvel. Deu um passo para trs e, de repente, tropeou no tnis de Charlie, qee estava no cho.
James acordou no mesmo instante, levantou-se e agarrou Win como se ela fosse um ladro.
A sensao das mos dele em seu corpo, o contato com a, pele sedosa e macia fizeram Win voltar rapidamente ao passado, lembrando-se de como era maravilhoso todas 
as vezes que James a tocava.
Depois de uma breve hesitao, Win libertou-se dos braos dele e, um pouco embaraada, disse:
- Charlie sabe que no deve deixar os tnis aqui embaixo.
- Desculpe-me, mas eles no so de Charlie. So meus. Eu s quis relaxar por alguns minutos. O que h de errado? Est desapontada por no ter passado a noite com 
seu amante?
Furiosa, Win deixou a sala, mas, antes de ir para o quarto, passou pelo de Charlie para verificar se estava tudo bem.
Satisfeita, Win beijou a face do filho e foi para seu quarto tentar relaxar um pouco depois de um dia to difcil.
Trs horas depois, sentia-se fisicamente exausta e mentalmente pior.
Nunca pensara no que acontecera no passado, mas, naquela noite, lembrara-se de como era quando James tocava-a e beijava-a. Por que aquela recordao? Por que as 
comparaes entre Tom e James? Teria sentido prazer se fosse anos atrs, mas no depois do ter sofrido tanto por causa de James.
Alm do mais, o que havia acontecido era passado. No momento, deveria se preocupar em no estragar a relao dela com Charlie.
Ser que teria coragem suficiente para revelar ao filho quem era realmente o pai?
Intimamente, acreditava que James fosse se mostrar ele mesmo ao filho com o decorrer dos dias.
A intuio lhe dizia que seria muito mais fcil vencer James se contasse a Charlie a verdade sobre o pai. Se revelasse ao filho que James nunca quis que ele nascesse 
e que o rejeitara. Mas a ltima coisa que queria era ver Charlie sofrendo, magoado. E ainda que no quisesse, se fosse necessrio, era exatamente o que iria acontecer. 

CAPTULO V

O barulho da porta do quarto se abrindo acordou Win de um sono breve e profundo. Sua cabea doa, e os olhos estavam inchados, denunciando que chorara durante a 
noite.
Embora trabalhasse todos os dias da semana, havia combinado com Tom, desde o incio, que teria os domingos livres para ficar com Charlie.
A rotina era sempre a mesma, Charlie ia de bicicleta comprar o jornal de domingo enquanto Win preparava para ele um caf da manh especial com ovos mexidos e salsichas, 
que ele adorava.
Naquele momento, Win se encontrava sentada na cama, surpresa.
- Ol, mame. Papai disse que eu deveria fazer o caf e deixar voc dormir. Trouxe um pouco para voc.
Sensaes desconcertantes invadiram o esprito de Win, ao constatar que, mais uma vez, James estava se intrometendo no modo de vida dos dois, conseguindo at mudar, 
em to pouco tempo, a rotina que ela e Charlie levaram anos para criar.
Win pegou a xcara na mo e aspirou o delicioso aroma do caf que Charlie havia levado para ela.
Olhou para a xcara e percebeu que James havia preparado o caf dela do mesmo jeito especial que preparara no primeiro dia de casados, com chocolate dissolvido na 
superfcie do recipiente.
Era um gesto gentil, sem dvida, mas era para impressionar Charlie. A insegurana fazia com que no pudesse sequer aproveitar o momento de relaxamento.
- Papai comprou chocolate especial quando fomos pegar o jornal - Charlie disse. - Ele falou que voc sempre gostou do seu caf assim.
- Ah, ento j estava acordada! Charlie ficou preocupado quando voc no acordou no horrio normal. Expliquei a ele que algumas vezes sair  noite provoca este efeito.
Win quase deixou cair a xcara ao ver James parado na porta de seu quarto.
Olhou para Charlie, perguntando-se at quando aguentaria aquela situao.
Passara uma noite terrvel, preocupada com o futuro, e sabia que, naquele momento, a ansiedade estava estampada em seu rosto, enquanto James se mostrava relaxado 
e tranquilo.
A camiseta que usava destacava os fortes msculos dos braos, realados pelo bronzeado.
Nos anos em que eles estiveram separados, Win, divagando, questionava-se como James vivera at ento, o que havia feito e com quem. Mas o que faria com as respostas? 
James no significava mais nada para ela, e no poderia se esquecer de que estavam divorciados.
- Seu caf est esfriando - disse o ex-marido. O comentrio a fez voltar  realidade e perceber que ele havia entrado no quarto dela e sentado na ponta da cama, 
mostrando-se muito  vontade.
Embora estivesse vestindo uma camisola, Win estava constrangida de ter sua privacidade invadida de modo to rude, principalmente porque a cena a remetia a fatos 
do passado que durante todos aqueles anos recalcara.
Quando se casara com James, adquirira o hbito de dormir nua. Desfrutou daquele hbito com a presena de um corpo forte e sensual dormindo a seu lado. Depois que 
ele se fora, conservou durante algum tempo o costume, mas logo o rejeitou, para no conviver com lembranas que a faziam sofrer muito. E, agora, havia Charlie para 
considerar. A camisola que estava usando era curta e transparente, e ela sentiu-se um pouco tmida.
Charlie imitou o pai e sentou-se do outro lado da cama, perguntou-se se a mulher que havia dividido a vida com James no decorrer dos anos usaria uma camisola para 
dormir.
Duvidava que pudesse ter existido mais prazer com uma outra pessoa do que quando eles eram casados.
Imediatamente, ficou tensa.
O que estava fazendo?
O que precisava se lembrar era de que James rejeitara Charlie, fora egosta e insensvel, e que ela chorara noites e noites por ter sido abandonada.
- No vai beber seu caf? - perguntou James.
Win sabia que no poderia levantar a xcara de caf, pois, se o fizesse, James perceberia que estava tremendo.
- No gosto muito deste tipo de caf.
Era mentira, mas teve de dizer para evitar que James percebesse como estava nervosa.
Assim que virou a cabea, notou o desapontamento nos olhos de Charlie, e lembrou-se do entusiasmo dele ao trazer-lhe o caf.
- Mas tenho certeza de que este est bom - Win tentou contornar a situao.
- Lembro-me de quando voc o tomava com tanto prazer que no deixava nem um restinho no fundo da xcara.
Ela tambm podia se lembrar daquele tempo, dos beijos, das carcias, de como James mordia seus lbios...
- Papai vai me levar para passear esta manh - Charlie informou, interrompendo os pensamentos dela. - Vamos procurar algum lugar para ele trabalhar.
- Quero checar a rea e conhecer as regies industriais - explicou James. - Achei que Charlie pudesse ir comigo, assim, voc teria um tempo sozinha.
Ela abriu a boca para falar que no queria nenhum tempo sozinha, que os domingos eram dias especiais para ela e Charlie, mas seu filho j tinha se levantado da cama 
e se aproximado da porta, dizendo:
- Vamos, papai.
Logo que James se virou para seguir o filho, Win percebeu que mais uma vez ele dominara a situao.
Ouviu Charlie conversar alegremente com o pai enquanto desciam as escadas e sentiu uma pontada de solido tomar conta de seu corao.
Poderia ter proibido Charlie de sair com o pai, mas sabia quanto ele estava feliz, e, se fizesse aquilo, poderiam considerar que era por cime.
Porm, admitiu a si mesma que estava com cime de Charlie com James. Cime e medo.
No silncio da casa, comeou a imaginar uma situao em que James se estabelecera em seu prprio negcio e Charlie se tornando infeliz por estar vivendo com ela.
Charlie teria os fins de semana para passar com o pai, mas e se ele resolvesse que no queria mais viver com ela? O que faria se isso acontecesse?
Amar uma criana era diferente de amar um adulto, lembrou-se, mas Win tinha suas dvidas, pois quem abandonou uma vez...
Pretendia fazer um pouco de caf, quando o telefone tocou.
Era Heather.
Assim que explicou o que havia acontecido  amiga, Heather perguntou, indignada:
- Quer dizer que ele se mudou e pronto, e voc o deixou ficar?
- No tive alternativa. Legalmente, ele  dono da metade desta casa, mas no  s isso, Heather,  Charlie tambm. Ele ama o pai, e estou com medo de que James o 
tire de mim.
-  Oh, Win!
Ao contrrio de Tom, Heather se preocupou imediatamente com os sentimentos de Win.                                             
- Como Tom reagiu diante disto?
- No muito bem. Ele chegou a sugerir que eu deixasse Charlie ir com James, como se meu filho fosse algo indesejvel. Sei que os dois nunca se deram bem, mas no 
sabia que ele era to... insensvel, Heather. Falou sobre termos filhos e que no deixaria Charlie com eles se no estivssemos por perto. No imaginava que ele 
tivesse uma ideia to negativa do meu filho,
- Bem, talvez tenha sido bom ficar sabendo, antes de ter se comprometido com ele.
- Sim. No posso me casar com ele. Na verdade, eu tinha esperana de que Charlie e Tom se entendessem, mas agora...
Pensei que pudssemos ser uma famlia de verdade. Se as posies fossem invertidas, se fosse Tom quem tivesse um filho...
- Homens no so como ns, Win. Alguns deles no podem enfrentar nenhum tipo de competio ou rivalidade. Receio que Tom seja assim, sinto muito, Win, se quiser 
conversar...
- No se preocupe. Estou bem.
Desviou a conversa, perguntando se Heather pretendia ir  aula de aerbica que tinham aos domingos  tarde.
-  Claro, alm disso, comprei um uniforme novo ontem,  noite e...
Depois que desligaram o telefone, Win ficou pensando se Tom ligaria, mas logo reconheceu que seria impossvel.
Ele era muito orgulhoso para admitir a ideia de telefonar para se desculpar por t-la aborrecido na noite anterior ou mesmo para dar-lhe uma fora.
Como Heather dissera, foi melhor assim. Teve a oportunidade de ver como ele se sentia em relao a Charlie.
Duvidava que Tom dissesse que no queria mais se casar com ela, simplesmente se afastaria, pondo um fim na relao deles. Desejava que o rompimento no afetasse 
em nada seu emprego, pois adorava o que fazia e j estava acostumada com a independncia financeira que lhe proporcionava.
A garota ingnua que no escutara o conselho dos pais para no se casar com James depois de muito tempo reconheceu seu erro, e a mulher que tomara o lugar da menina 
descobrira como era importante ser tratada com respeito e dignidade.
O silncio da casa a perturbava. Talvez se fizesse alguma coisa...
Sabia que no havia nada melhor do que trabalhar duro para distrair os pensamentos.
Um hora mais tarde, cansada, sentou-se para avaliar a pilha de coisas que havia separado para jogar fora.
Como deixara acumular tanto lixo? Seus livros antigos, por exemplo, por que no jogara? E todas aquelas fotografias?
Olhou um dos lbuns na pilha e franziu a testa. Reconheceu que era ela e lembrou-se dos irmos dizendo que quando olhasse aquela foto deveria pensar duas veses antes 
de ficar grvida novamente.
Naquela poca, Win havia ficado triste, mas, no momento, podia entender perfeitamente.
Seu rosto corado destacava uma pele bronzeada. Ainda tinha uma expresso de criana, e no de mulher. Seus cabelos estavam presos, mostrando a beleza do rosto um 
pouco inchado por causa da gravidez. A imagem era quase grotesca em contraste com a extrema juventude estampada em seus olhos.
Rasgou-a na metade, depois colocou os pedaos na pilha de lixo.
No precisava de nenhuma fotografia para relembrar como havia sido imatura e tola em vrias situaes. Mas no era a nica culpada, pois James a incentivara a am-lo 
e prometera que a amaria tambm.
Algumas vezes, olhava para Charlie e ficava triste por saber que o nascimento dele havia provocado muita irritao e brigas entre ela e James, mas logo se esforava 
para esquecer o sofrimento do passado,
Levantou-se e colocou o lixo em um plstico, achando que Charlie iria gostar de fazer uma fogueira com aquilo.
Num gesto irritado, tirou do rosto alguns fios de cabelos que a estavam incomodando e, ento, percebeu como estavam sujos. Olhou para o relgio e percebeu que o 
tempo passara rapidamente. James e Charlie poderiam voltar a qualquer momento, e sem dvida Charlie estaria faminto.
Determinou-se a esquecer as recordaes dolorosas. Foi  cozinha, preparou algo para eles comerem e depois tomou um banho e lavou os cabelos.
Olhou-se no espelho e assustou-se ao ver como estava plida. Beliscou a pele para ver se ficava um pouco mais corada e disfarava a palidez.
No obtendo resultado, resolveu fazer uma maquiagem leve. Passou p e batom nos lbios.
O suter que havia colocado com o jeans destacava a fragilidade do corpo.
Comparou-se com as garotas que James teria conhecido na Austrlia: jovens, atraentes, bonitas e sensuais.
No tempo em que estivera nos braos de James, ouvindo ele dizer o quanto a desejava, ela se sentira assim...
Fechou os olhos e mergulhou nas recordaes que tanto a atormentavam.
James tocando-a, deslizando as mos pela pele macia e sedosa, enquanto a beijava e desabotoava o suti dela, iniciando uma noite de muita paixo.
Perdida na intensidade de suas lembranas, no se deu conta do barulho da porta do carro se fechando e dos passos que caminhavam na parte debaixo da casa.
- Me! Chegamos.
A voz de Charlie fez com que voltasse  realidade. Seus olhos se abriram, e seu rosto corou ao ver que James estava ao lado de Charlie.
Quanto tempo ele teria ficado ali, observando-a?
- Desculpe-nos se a perturbamos - disse James. Aquelas palavras fizeram Win se sentir culpada. De reperite, James se aproximou:
- Voc deixou cair isto.
Ele lhe entregou o batom que estivera usando e nem percebera quando rolara para o cho.
- Me, estou com fome. O que temos para comer?
Win j havia deixado a mesa arrumada para a hora que eles chegassem. Sentaram-se  mesa, mas ela no conseguia comer, pois sentia o estmago agitado.
Pousou o garfo e a faca sobre o prato, levou-o para a pia e bebeu um pouco de gua gelada.
Assustou-se quando James chegou perto dela e perguntou:
- Voc est bem?
- Apenas com um pouco de dor de cabea.
- Talvez ar fresco possa ajud-la a melhorar.
-  Convena Charlie de que  um super-heri ou o que quiser, mas no me fale o que devo fazer. Sou uma mulher, no uma criana e...
- Sim, eu sei que . Uma grande mulher!
As palavras de James surpreenderam-na. Win teve vontade de rir.
A porta da cozinha se abriu, e Charlie entrou.
- Tem pudim?
- Tm frutas e iogurte para acompanh-las, serve?
Ao receber um sim entusiasmado de Charlie, Win pegou um prato e dirigiu-se  geladeira ainda tremula pelo que acontecera. "Eu errei", falou a si mesma.
No deveria mostrar a James quanto ficara fragilizada com a presena dele em sua casa.
Pusera mais armas nas mos dele. Se ele pretendia destruir a relao dela com Charlie, no hesitaria em utilizar todos os meios disponveis para faz-lo. Teria de 
tomar muito cuidado dali para a frente.


CAPTULO VI

Nas duas noites seguintes, Win no conseguiu dormir. Naquela manh, acordou consciente de que tinha de trabalhar e de enfrentar mais um dia de luta. Levantou-se, 
e se preparou para tomar um banho. Ao abrir a porta do quarto, hesitou, temendo encontrar James. Mas a casa estava silenciosa, no havendo indcios de que ele j 
estivesse de p. Alm do mais, no existia nenhum motivo para ele se levantar cedo.
Tomou banho rapidamente e dirigiu-se para o quarto de Charlie para ter certeza de que ele j estava acordado.
Antes de sair, gostava de ligar o rdio para ouvir um pouco de msica e tambm as principais notcias do dia, mas, desde que James passara a morar com eles, tudo 
se modificara.
James era um homem dinmico e participativo, jamais se conformaria de estar ao lado do filho sem emitir suas opinies e participar do processo de sua educao ainda 
que ela protestasse contra esta interferncia, que achava indevida pelo tempo que ele se mantivera afastado de Charlie.
Olhou para o relgio e comeou a preparar o lanche para Charlie levar  escola.
Quando ele desceu para tomar caf, ela subiu para pentear os cabelos e maquiar-se.
Charlie deixara a porta do banheiro aberta, e Win pode ver as toalhas jogadas no cho.
No mesmo instante, ela o chamou:
- Charlie! Depois suba e recolha as toalhas. Voc sabe muito bem onde  a lavanderia.
Win refletiu que seria muito fcil para ela recolher as toalhas do banheiro, mas reconhecia que fazendo isso reforaria a pouca iniciativa dele para organizar-se 
e colaborar nas tarefas domsticas.
A porta do quarto de James ainda estava fechada, e se perguntou se ele ainda estaria dormindo.
Desceu para deixar a pasta de trabalho sobre a mesa, e disse a Charlie:
- Apresse-se porque no podemos nos atrasar, vamos passar na casa de Heather e pegar Danny.
Acabou de ajeitar algumas coisas na cozinha e subiu novamente.
As toalhas ainda estavam no cho do banheiro, e Win se irritou ao v-las.
-  Charlie!
- Est certo, est certo.
J descia a escada quando a porta do quarto de James se abriu, e ele saiu.
Deduziu que ele fosse fazer algum tipo de esporte, pois estava vestido com short, camiseta e tnis.
Ela o olhou demoradamente, mas no fez nenhum comentrio.
Esquecendo-se at de cumpriment-lo, tal a confuso que a forte presena dele lhe causava, Win achou melhor ignor-lo.
- Vamos, Charlie! Voc sabe que tenho de estar no hotel s nove. Se no estiver pronto em dois minutos, ter de ir andando.
Estas eram frases de efeito que sempre costumava falar, para fazer com que Charlie se apressasse, porm James, ao ouvir aquilo, disse:
-  Olhe, se quiser, posso levar Charlie  escola.
Win ia recusar a sugesto dele quando Charlie apareceu e falou:
- Pode papai? Ser muito legal! Quero ver a cara dos meus colegas quando me virem no Daimler.
Win se aborreceu com a atitude do filho.
- Charlie! Coisas materiais no so importantes, o que vale so as amizades verdadeiras que conquistamos.
-  Sim, eu sei - concordou Charlie. indo para a cozinha.
-  Bela lio de moral! - James comentou ironicamente.
- No sei por qu, mas acho que ela foi dirigida a mim, e no a Charlie, por isso, vou deixar uma coisa bem clara: se tiver de usar o dinheiro para conquistar a 
afeio do meu filho, irei usar, certo?
Indignada a ponto de no conseguir nem falar, Win saiu, batendo a porta com fora e se perguntando at quando iria aguentar o desafio direto que James lhe fazia.
Quando chegou ao hotel e deparou-se com Tom, admirou o bom humor dele.
Obviamente, Tom esquecera o que acontecera no sbado e falava sobre a conferncia que iria comear no prximo fim de semana. Estava muito empolgado com a atividade 
que iria lotar os quartos do hotel, pois uma empresa da cidade vizinha havia feito vrias reservas para os participantes do congresso que iria se realizar no hotel.
Por causa do acmulo de servio do fim de semana, Win no teve tempo de almoar e acabou saindo do hotel uma hora mais tarde que de costume.
Ainda tinha de passar na casa de Heatlier para pegar Charlie, preparar o jantar e ir para a aula de aerbica.
Assim que Heather abriu a porta, comeou a se desculpar pelo atraso, quando foi interrompida pela amiga:
- Win, Charlie no est aqui. Ele falou para Danny que o pai ia bsc-lo.
Win voltou para o carro furiosa com Charlie e com a irresponsabilidade de James.
Chegando em casa, caminhou para a cozinha e encontrou James e Charlie sentados  mesa, jantando.
-  Est servida? - James perguntou, ao v-la.
Charlie olhou-a com, um olhar culpado. Estava ciente de que estava zangada com ele, mas no sabia o motivo.
-  Obrigada, mas estou indisposta.
- Teve um dia muito difcil?
-  Pode-se dizer que sim. E no tive nenhuma cooperao da parte de vocs. Sa do servio e, na casa de Heather, fiquei sabendo que no havia ido para Ia, Charlie, 
como havamos combinado...
Win olhou para o filho e continuou:
-  ...Poderia ter me telefonado, voc sabe.
Win sempre tentara incutir no filho o senso de responsabilidade, e Charlie sabia que sempre que os planos mudavam deveria avis-la.
- Desculpe-me, me.
No era s culpa de Charlie, era de James tambm, pensou Win.
- No. A culpa foi minha e peo desculpas por isso, Win. Poderia ter ligado, mas, depois do que voc disse sbado, pensei que a ltima coisa que queria era eu ligando 
para o hotel, pedindo para falar com voc. Se seu namorado...
- Tom no opera a mesa de ligaes e mesmo que fizesse isso entenderia perfeitamente a razo de voc me ligar.
Sabia que no era verdade. Tom nunca entenderia o fato de o ex-marido dela ligar, procurando-a.
- Voc vai sair hoje  noite, no vai, mame? - Charlie interrompeu os pensamentos de Win. - Eu e papai pegamos uma fita de vdeo...
- Vai namorar outra vea? - questionou James. - Por ser uma me consciente deve saber que no pode contar com os outros para dividir suas responsabilidades. O que 
planejou para Charlie esta noite? Dormir novamente na casa de algum?
Win ficou furiosa. O interesse de Charlie era natural, mas James no perdia a oportunidade de criticar as atitudes dela. Esperou o filho subir um instante para refutar 
os comentrios de James.
- Se quer saber, no vou sair com Tom esta noite. Tenho aula de aerbica com uma amiga, e Charlie, normalmente, vai comigo.
- No sabia que ele gostava de aerbica...
- Charlie pratica natao com Danny. A academia tem uma piscina olmpica, e, antes que fale alguma coisa, ele tem certificado de natao e j ganhou vrias medalhas 
por ter vencido campeonatos. Como v, no o incentivo a ficar em casa vendo vdeos. Portanto, deve me consultar antes de planejar algo para ele. Sempre fui responsvel 
por Charlie a vida dele inteira, James, e se voc pensa que pode vir aqui e dizer como tratar meu filho...
- Nosso filho - James corrigiu-a.
Win estava comeando a se cansar de ouvir James dizer que o filho tambm era dele. No colocava em dvida aquela afirmao, s queria deixar bem claro que ela o 
criara sozinha at ento e podia muito bem continuar a faz-lo.
Cansada de discusso, Win passou por James e foi para seu quarto, arrumar as coisas que levaria para a aula.
Depois da acusao de James, Win encurtou a noite, saindo mais cedo da academia.
Quando saam da aula, Heather convidara-a para tomar um caf antes de irem para casa.
- Infelizmente, no posso, Heather. No devo ficar muito tempo fora de casa.  muita irresponsabilidade minha deixar uma criana sozinha em casa.
- O que? Irresponsabilidade sua? Quem falou isso?
- James. Heather, se eu comear a falar disto agora provavelmente no vou parar. Se ele falar mais uma vez que estou sendo displicente, irei...
De repente, lgrimas comearam a escorrer por sua face.
- Hey, o que  isto, Win? Voc precisa de um drinque para se acalmar.
-  Obrigada, querida, mas no posso. Fale-me uma coisa, por que tenho de me sentir to culpada? Sei que fao o melhor para Charlie, mas no posso ser perfeita. Tambm, 
quem ? Ern apenas poucos dias James conseguiu desestruturar tudo que eu levei anos para construir, atormentando-me, achando que sabe mais que eu como cuidar de 
meu filho!
- No se deixe abalar, Win! No conheo uma me melhor que voc. At mesmo a me de Rick acha voc maravilhosa! Win sorrira, sabendo o que a amiga sentia em relao 
 sogra.
Quando chegou em casa Win sentia os msculos rgidos e doloridos. Caminhou at a cozinha, como no encontrou ningum, dirigiu-se para a sala de estar. Charlie estava 
sentado ao lado do pai, assistindo  televiso.
- Psiu, me! Esta  a melhor parte.
Win sara da academia mais cedo para poder ficar um pouco mais de tempo com o filho, mas viu que seu esforo foi intil, Charlie nem se importara com o retorno dela, 
Foi para a cozinha e olhou em volta. Sabia que se sentasse no teria foras para levantar, ento caminhou at a cafeteira.
- V se sentar, farei isto para voc. Ao ver James ali na cozinha, um arrepio de prazer involuntrio percorreu seu corpo. Virou-se para ele e surpreendeu-lhe o olhar 
ardente percorrendo seu corpo esbelto com intensidade.
Constrangida, Win levou a mo at os cabelos para ajeit-los, pois estavam midos de suor e sua roupa um pouco amassada devido aos exerccios.
- Preferi voltar mais rpido e tomar banho em casa... - ela disse. - Pensei que Charlie...
- Charlie est timo vendo o vdeo dele. E voc no deveria ter sado de uma aula de ginstica e vir direto para casa. Certamente, deve saber quanto  importante 
um banho para relaxar, depois de fazer exerccio.
Win sabia da importncia de uma ducha fria, mas, aquela noite, voltar, mais cedo para casa e ficar com Charlie era mais importante.
- Normalmente,  o que fao, mas hoje abri uma exceo, para chegar mais cedo.
- Tambm deve se preocupar um pouco com voc, Win.
A voz de James parecia ter mudado de tom.                    
De repente, Win sentiu James tocando sua face quente com a palma da mo como se estivesse medindo a temperatura do| corpo dela. 
Ao sentir os dedos masculos em seu ombro, Win lembrou-se de que uma vez aquele homem fora seu amante, seu marido, envolvera-a nos braos e mostrara-lhe todo o prazer 
que poderia existir entre um homem e uma mulher. 
Lembrou-se tambm de como havia sofrido quando soubera da traio de James, quando ele a abandonou sozinha com Charlie recm-nascido.
Rapidamente, Win saiu da cozinha com o corao batendo descompassadamente, em pnico.
Tomou um banho demorado e relaxante enquanto Charlie e James continuavam assistindo  televiso.
Quando Charlie foi para a cama e informou que na prxima quarta-feira a escola ficaria fechada por causa de alguns problemas com o sistema de aquecimento central, 
Win pensou que era o que faltava para deix-la ainda mais desnorteada.
-  Falei para voc a semana passada, me - Charlie relembrou-a.
- Desculpe-me, amor. Esqueci completamente. Vou perguntar a Heather se voc pode passar o dia com Danny.
- No h necessidade, eu e Charlie podemos passar o dia juntos, no , Charlie?
Oh, Deus! Por que o destino estava sendo to generoso com James?, perguntava-se Win.
Daquela forma, certamente James estaria em vantagem diante de Win, pois tinha muito mais tempo livre para fazer as vontades do filho.
- Poderamos ir a Danelands - disse Charlie, entusiasmado.
- Danelands? - perguntou James.
James olhou para Win, pedindo um esclarecimento.
-  E um novo parque de diverses que foi inaugurado no vero passado - explicou ela.                                            
- Mame prometeu que me levaria o ano passado, mas no teve tempo. Todos na escola j foram.
Win relembrou Charlie que no foram, mas em compensao, passaram os finais de semana no parques centrais da prpria cidade.
Desconsolada e desanimada, Win foi dormir.


CAPITULO VII

Na quarta-feira, Tom anunciou que teria uma reunio de negcios e que no voltaria o resto do dia para o hotel.
Ele no comentara nada sobre o que acontecera no sbado, e Win suspeitava que ele, assim como ela, decidir que a relao deles estava acabada.
Mesmo sabendo que jamais poderia ter se casado com Tom, por causa da antipatia que ele demonstrava por Charlie, Win sentia-se surpresa por ter sido deixada to facilmente.
Ser que algum dia ele realmente se preocupara com ela? E quanto Win se interessava por ele? Eram perguntas que no lhe saam da cabea enquanto trabalhava.
Da janela de seu escritrio, Win podia ver o jardim do hotel. Um casal caminhava devagar pela alameda de entrada; o brao dele rodeava a cintura da mulher, e a cabea 
dela estava apoiada no ombro dele.
No era um casal jovem, muito pelo contrrio, e, de repente, um sentimento profundo de solido invadiu o corao de Win. Por um momento, ela desejou ser aquela mulher 
que parecia feliz como ela jamais fora em sua vida.
Win comeou a pensar que seria maravilhoso ter algum para dividir as responsabilidades, que estivesse a seu lado dando apoio e fora sempre que fosse necessrio.
Win ficou por um longo tempo perdida em seus pensamentos.
Subitamente, voltou a ateno para a tela do computador, dando os comandos principais para checar as reservas da semana seguinte. Trabalhara sem parar a manh inteira 
para poder sair mais cedo e fazer compras no mercado.
Quando chegasse em casa  noite, estava planejando fazer o ch favorito de Charlie e depois o convidaria para dar uma longa caminhada. Precisavam de um tempo juntos 
para poderem respirar um pouco de ar e restabelecer o contato entre eles que andava um pouco estremecido.
Esperava sinceramente que James no se propusesse a acompanh-los. Ele passara o dia inteiro com o filho, e ela gostaria de ter alguns minutos s para si, tinha 
certeza de que ele entenderia. Apesar da sua determinao em conquistar o amor do filho, James no era um homem egosta. Sabia quanto Charlie amava a me e necessitava 
dela nessa fase de sua vida.
Impulsivamente, Win acrescentou um pacote do biscoito que Charlie mais gostava, ignorando a voz que lhe dizia que aquilo no era nutritivo.
Enquanto esperava na fila do caixa, ela tentava se distrair para no pensar no homem que amara tanto, e que decidira voltar a sua vida de uma maneira to ameaadora. 
Se as coisas fossem diferentes entre eles, pai e filho poderiam se ver quanto quisessem sem que ela interferisse. Mas o que parecia era que James pretendia fazer 
com que o filho dependesse dele de uma maneira exclusiva.
Tinha certeza de que James estava consciente do fascnio que exercia sobre Charlie.
Como sempre, Win parecia ter escolhido a fila errada, onde duas mulheres  frente dela conversavam:
-  claro que sabe o que  isso - uma dizia para a outra. - Se ela no tivesse deixado o nosso Paul, nada disso teria acontecido. Um garoto precisa do pai, especialmente 
na idade dele. No posso dizer que Stevie tenha sido sempre bom, mas esta  a primeira vez que a polcia se envolve...
Win irritou-se ao ouvir a conversa das duas mulheres e procurou sair rapidamente de perto delas, pois no estava interessada em ouvir mais nada sobre a importncia 
do relacionamento entre pais e filhos.
Afundada nos pensamentos, Win descobriu que a garota do caixa esperava por ela, sorridente.
Sentiu-se um-pouco culpada por ter atrasado a fila principalmente porque tinha pressa de chegar em casa.
Lembrou-se de ter escutado no rdio que a estrada principal estaria interditada, ainda por cima teria de enfrentar um trnsito horrvel.
Queria chegar antes de Charlie, pois desde que comeara a trabalhar no hotel sua vida havia se tornado corrida e agitada, e sempre ficava preocupada que Charlie 
pudesse pensar que ela no se importava mais com ele.
Sabia que a vida moderna exigia que uma mulher se dividisse entre a administrao da casa, a carreira e os filhos, mas mesmo uma me que trabalhasse fora em perodo 
integral precisava encontrar um tempo para dedicar a seu filho, ainda que pouco, teria de ser um tempo especial, sem deixar o sentimento de culpa interferir.
Quando a nica ocupao dela era a casa e Charlie, Win sempre esperava-o chegar da escola com um copo de leite e biscoitos que ela mesma fazia. Ento, ele contava 
como havia sido o dia dele, e Win escutava com muita ateno.
Porm, nos ltimos anos, j era quase noite quando ela o apanhava na casa de Heather e tinha apenas alguns minutos para escut-lo enquanto preparava o jantar.
Mas Win adorava o seu trabalho e amava a independncia que ele lhe proporcionava.
De repente, ficou tensa.
At onde o rompimento com Tom iria afetar seu trabalho? perguntou a si mesma.
Certamente, Tom iria desistir da ideia de lhe dar mais autonomia e responsabilidade nas tarefas do hotel.
Mas se pelo menos as coisas ficassem como estavam, j sentia-se satisfeita, pois o que realmente a preocupava era a possibilidade de James convencer Charlie a ir 
morar com ele. 
Mesmo tendo a custdia de Charlie, Win conhecia o poder de persuaso de James. Alm disso, ele era um homem rico, rico o suficiente para proporcionar uma vida estvel 
e tranquila a Charlie. E o fato de ele estar sozinho no seria problema, pois poderia se casar novamente.
Win procurava controlar-se para no se desesperar.
Sem querer confessar, a ideia de James se casar novamente atormentava-a muito.
Seria apenas por imaginar que James arranjaria uma mulher jovem e bonita para ser madrasta do filho dela?
Uma madrasta que seria muito mais divertida, que teria mais tempo livre para ficar com Charlie, uma mulher que no fosse distante e ausente das necessidades do filho.
Quando Win parou em frente a casa e no viu o Daimler, respirou aliviada.
Aproveitaria o tempo livre para ler um artigo na revista, preparar algo para eles comerem e acalmar os nervos.
A casa estava escura e silenciosa, e ela sentiu uma sensao estranha ao entrar,
Charlie no costumava estar em casa a esta hora, pois tinha uma vida social bastante ativa, cheia de amigos e afazeres, ento, por que aquela perturbao?
Win tinha medo de estar perdendo Charlie. Fazia s uma semana que James chegara, e tudo em sua vida havia se modificado. Sua relao com Charlie estava desestruturada 
e sentia-se descontrolada emocionalmente.
Pensava rios de estragos que a presena de James causara, e tinha saudade do sossego que havia antes da chegada do ex-marido. At onde suas dvidas eram verdadeiras, 
e no fruto do cime e do medo? Medo de si mesma. Medo de descobrir que seu amor por James no havia morrido como ela pensava que houvesse, para poder manter suas 
emoes sob controle e a paixo adormecida.
Win preparou o jantar e olhou para o relgio. Eles poderiam chegar a qualquer momento, e Charlie provavelmente estaria com fome, a menos que... James tivesse decidido 
prolongar o dia, levando Charlie para comer em algum restaurante da cidade.
No, ele deveria saber que Win estaria esperando-os voltar. Ela comeava a se questionar se Charlie preferia a companhia do pai a dela.
Win podia ver todas as razes para Charlie preferir o pai, pois ela estava sempre to ocupada, sempre trabalhando, sempre com Tom...
Win arrepiou-se com aqueles pensamentos. Era como admitir que James fosse perfeito, e ela negligente, esquecendo-se de como ele agir quando Charlie nascera.
Olhou para o relgio outra vez. Passaram apenas dez minutos desde que havia olhado pela ltima vez.
Engraado, como as horas pareciam no passar quando se esperava por algum!, refletiu consigo mesma.
Win resolveu ir at a sala de estar dar uma arrumada enquanto esperava, mas, ao abrir a porta, espantou-se com o que viu.
A pequena sala estava totalmente limpa. Revistas, livros e papis estavam na estante. O carpete fora aspirado. Os jogos: e vdeos que Charlie sempre deixava espalhados 
estavam guardados. As flores murchas haviam sido removidas do vaso e substitudas por outras.
Flores novas! Win olhou fixamente para as flores e lembrou-se de uma certa tarde quando ainda era casada com James.
Ela sara para fazer compras e, quando voltara, admirara-se com a limpeza que James fizera na sala, pois deixara tudo bagunado antes de sair. As flores que James 
havia comprado eram lindas.
Win sentira uma emoo muito forte invadir seu corpo e uma enorme felicidade, mas, quando James descera as escadas e aproximara-se da sala de estar, em vez de correr 
ao encontro dele e abra-lo, comeara a agredi-lo.
- Oh, eu sei que est tentando fazer com que eu me sinta culpada s porque eu sa para passear um pouco! Mas fique sabendo que no me preocupo com o que voc pensa, 
James. No me preocupo mais com nada!
Win subira e jogara-se na cama, certa de que James iria atrs dela, mas, ao contrrio, ele sara.
Ela sentia-se arrependida do que dissera.
Permanecera na cama sem conseguir dormir, e, quando James voltara, no falara com ela nem tentara toc-la. De repente, Win voltou ao presente.
Tocou as ptalas das flores e levou-as at a cozinha para poder molh-las.
Desejou saber por que James teria feito aquilo. Certamente, no para agrad-la, pensou.
Depois de ter molhado as plantas, Win levou-as de volta para a sala.
Embora fosse pequena, era uma sala bonita e confortvel.
Ela e Charlie haviam redecorado-a no ano anterior e pintado as paredes e o teto. Win fizera novas almofadas e cortinas.
Ela caminhou at a janela. Nem sinal de Charlie e de James.
Quando, o relgio bateu nove horas, Win estava impaciente e angustiada, e caminhava de um lado para o outro, olhando para o telefone, desejando que ele tocasse, 
imaginando os acidentes que aconteciam nas estradas.
Se alguma coisa daquele tipo houvesse acontecido, certamente j saberia, falou para si mesma.
Se James tivesse decidido prolongar o dia, por que ele no havia telefonado para avis-la?
Win sabia que ele no tinha telefone no carro, mas existiam inmeros telefones pblicos espalhados pela cidade...
Talvez ela pudesse ligar para a polcia, mas decidiu esperar mais algum tempo.
O corao de Win disparou assim que ouviu o barulho de um carro parando.
Correu at a janela e sorriu, aliviada, ao ver o Daimler de James estacionando atrs do carro dela.
Foi corroendo abrir a porta e, antes que eles pudessem entrar, perguntou:
-  Onde vocs estavam?
-  Desculpe-me pela demora, mas houve um acidente na rodovia.
- Acidente?
Win estremeceu e percebeu como Charlie estava quieto e plido. Sem falar nada, Charlie passou por ela e comeou  subir as escadas.
Win fez meno de segui-lo, mas James a deteve.
-  Deixe-o sozinho.
-  Deix-lo?
- Charlie precisa de alguns minutos sozinho. Houve um acidente horrvel na estrada, e, infelizmente, ele assistiu a tudo.
-  O que aconteceu?
-  Ele no  mais uma criana, ou ao menos acredita que no seja. Est muito, muito chocado, mas em sua idade acredita que um homem no deve chorar.
-  O que aconteceu? - Win repetiu, desesperada.
- Dois carros se chocaram de frente, ento, incendiaram-se, No foi possvel fazer nada para ajudar. Fui para o acostamento e usei o telefone de emergncia para 
alertar as autoridades. Ns... eu e um casal de outro carro paramos para tentar ajudar, mas o fogo tomou conta de tudo rapidamente... Desejei muito que Charlie no 
estivesse comigo.
Assim que James parou de falar, Win reparou na roupa suja dele e em algumas queimaduras nos braos e nas mos, ela se ofereceu para fazer-lhe curativos, mas James 
recusou:
-  No  necessrio, so apenas queimaduras leves. Teria ligado para voc, mas foi impossvel. Tive de ficar para dar testemunho da ocorrncia.
James passou a mo nos cabelos e continuou:
- Uma famlia inteira morreu num dos carros; pai, me e duas crianas pequenas. Um casal de jovens estava no outro carro. Deus! Por que tinha de acontecer aquilo? 
Sabe o que estava pensando quando voltei para casa?
Win fez um gesto negativo com a cabea.
- Olhei para Charlie e imaginei como me sentiria se algum batesse  minha porta e falasse que ele havia morrido... daquele jeito... Que horror!
James ficou alguns instantes em silncio e depois falou:
-  Preciso de um banho. Estou impregnado de fumaa.
- Acha que eu deveria ir ver Charlie?
-  Deixe-o sozinho hoje. Ele falar alguma coisa quando tiver vontade.
Depois que James subiu, Win descobriu que fora a primeira vez que, escutara um conselho dele, a primeira vez que estava dividindo as responsabilidades com o pai 
de Charlie.
Win sentou-se no sof e abraou os joelhos num gesto de proteo, tentando no se imaginar no lugar das pessoas que, naquela noite, ficariam sabendo da tragdia 
que acabara com as vidas de seus entes queridos.
Depois de algum tempo, James desceu e foi at a cozinha. Win continuava no mesmo lugar, lembrando-se dos anos de crescimento de Charlie e como seria se escutasse 
uma notcia daquelas referente ao filho.
- Charlie j est na cama - ele falou. - Ainda est chocado. Como desejei que no estivesse l! Sei que vai demorar muito tempo para ele esquecer.
- Crianas so muito resistentes, e Charlie  praticamente uma criana. Elas no tm o hbito de transferir coisas, como esta que aconteceu, para as prprias vidas 
do jeito que ns fazemos.
- Voc quer dizer que Charlie no vai pensar que poderia ser um filho dele ou a mulher dele que estava em um daqueles carros?
Win fez um gesto afirmativo com a cabea.
-  No, talvez no. Mas se eu no tivesse concordado em lev-lo ao parque...
- No foi culpa sua.
O que estava fazendo? Win perguntou-se. Por que estava tranquilizando-o e confortando-o? Por que no deixava ele se sentir culpado ou como um pai displicente?
Chegou a arrepender-se do que havia falado, mas era impossvel voltar atrs com as palavras.
-  Obrigado - disse James. - Precisava ouvir isto.
Win sentiu os dedos gelados de James tocando sua face, e ao mesmo tempo seu corpo todo estremeceu.
-  Foi um dia muito longo e difcil. Acho que vou dormir mais cedo - informou James. - Boa noite!


CAPTULO VIII

Um choro alto e sentido acordou Win. Aturdida, ela levou apenas um segundo para perceber que era Charlie quem chorava, levantou-se rapidamente da cama, cruzou o 
corredor e entrou no quarto do filho.
Preocupada, Win sentou-se ao lado dele como fazia quando ele era pequenino e frgil, e acordava vrias vezes durante a noite, chorando.
Charlie estava dormindo, mas Win pde perceber que o travesseiro estava mido, pois chorara enquanto dormia para desabafar as emoes que tinha vergonha de revelar 
acordado. Charlie jamais choraria na frente dela e de James, Win deduziu.
Ela estendeu a mo e acariciou com muito amor os cabelos dele, que em seguida acordou e passou a fit-la intensamente.
Havia lgrimas nos olhos de Charlie, e ela deduziu que ele estava assustado e angustiado por causa do acidente que vira horas atrs. Ento, envolveu-o nos braos 
num gesto de carinho e proteo.
Charlie lhe falou do acidente, mas suas palavras saam confusas e atrapalhadas, o que fez com que ela no entendesse absolutamente nada.
Sentia-se,muito emocionada, pois no o abraava daquele jeito desde quando ele era criancinha.
Charlie sempre dizia que j era grande para ficar recebendo carinho, beijos e abraos a toda hora, e, muito a contragosto, viu-se obrigada a respeitar a vontade 
do filho.
Naquele momento, Win ficou chocada.
Percebeu quanto seu filho crescera e que logo seria um perfeito homem. Todos aqueles anos ela tentou ignorar que o filho amadureceria e seria um adulto, pois sempre 
teve necessidade de proteg-lo muito, achando que Charlie era indefeso e carente.
De repente, tomando conscincia de que estava nos braos da me, Charlie se afastou e virou-se para o outro lado, obviamente embaraado por ter deixado transparecer 
as emoes.
- Seu pai me falou como est orgulhoso pelo jeito que voc se comportou, Charlie.
Win estava tentando incentivar o filho a dizer alguma coisa que aliviasse o corao dele que parecia sufocado de angstia, mas, infelizmente, Charlie no respondeu, 
nem revelou uma s palavra.
- Sim, meu filho,  verdade.
Win estremeceu ao ouvir a voz de James, pois no percebera quando ele entrara no quarto. Virando-se, viu o ex-marido parado  porta.
A suave luz do abajur, mostrava um semblante inquieto e preocupado.
Ao ouvir a voz de James falando com o filho, Win voltou-se para ele.
-  Fiquei muito orgulhoso de voc esta noite, Charlie - disse James, sentando-se ao lado do filho. - Mas no to orgulhoso quanto agora.
Charlie olhou para o pai, contendo as lgrimas, que teimavam em vir a seus olhos, para que no rolassem pela face.
- Um homem de verdade deve admitir que h coisas na vida que so muito dolorosas e que nos fazem chorar.
- Homem no chora! - protestou Charlie.
O silncio predominou no quarto at ser interrompido pela explicao de James:
- Nestas ocasies, ele chora.
Win olhava carinhosamente para Charlie, que observava o pai, ciente de que James estava falando a verdade.
- Nunca tenha, medo de suas emoes, Charlie. Uma das maiores virtudes de uma pessoa  conseguir transferir com palavras as emoes e os sentimentos que guarda dentro 
do corao. Sei que muitas vezes isto parece difcil, mas  preciso tentar.
James envolveu o filho nos braos, e, logo em seguida, Charlie retribuiu o abrao ao pai.
Win decidiu que deveria deixar os dois sozinhos para ver se Charlie desabafava com o pai. Ento, saiu do quarto, fechou a porta e encostou-se na parede do corredor 
comovida com as palavras de James.
O que acabara de ver e ouvir a deixara profundamente satisfeita com a afeio verdadeira que surgira entre pai e filho. Quando Charlie nascera, James poderia muito 
bem ter oferecido aquele carinho e amor ao filho como havia feito agora, diante dos olhos de Win, que se perguntava por que ele no teria agido daquela forma anos 
atrs.
Muitas perguntas sobre os acontecimentos do passado perturbavam Win naquele momento.
Seus pensamentos foram interrompidos pelo barulho da porta do quarto de Charlie se abrindo. James saa para o corredor. Sem se virar, Win sabia que James estava 
parado atrs dela tambm em total silncio. Ele emanava um forte magnetismo, que fazia com que os cabelos de sua nunca se eriassem como se estivessem sendo tocados 
sensualmente.
Quando virou-se em direo a ele, percebeu que, de algum modo, um dos botes de seu pijama tinha se aberto, permitindo que a luz revelasse as curvas de seus seios.
Cruzou os braos para esconder os bicos dos seios que estavam rgidos e visveis.
Com a pouca iluminao do corredor, dava para ver apenas o brilho dos olhos de James.
Ele fechou a porta do quarto de Charlie e se aproximou lentamente de Win.
- No me admira que o dono do hotel te queira tanto. Voc  muito sensual,  bom com ele como sempre foi conosco, Win?
Por um momento, ela ficou em silncio, chocada com as palavras de James.
-  Voc no tem o direito de me fazer este tipo de pergunta, pois no tem nada a ver com minha vida pessoal, mas, se quer saber, minha relao com Tom  baseada 
em muito mais que apenas sexo...
De repente, Win parou de falar.
O que estava fazendo?, perguntou-se. Ela no tinha mais nenhuma relao com Tom. Por que estava dando explicaes a James?
-  Ento no  to bom - concluiu o ex-marido.
As simples palavras de James tocaram-na profundamente.
- Quando conheci voc, eu no passava de... uma criana.
- No parecia uma criana nos meus braos, Win.
Ela percebeu uma certa irritao na voz de James, que logo acrescentou:
- Alm do mais,  bom saber que o auge de uma relao sexual comea aos trinta anos da mulher, e voc est bem no incio desta fase. Ainda tem muito para aproveitar. 
,
- Sexo no  mais to importante para mim, James. Aprendi isto com meus prprios erros.
-  No?
Inesperadamente, James envolveu Win rapidamente nos braos.
A velocidade com que ele a agarrou e puxou-a para perto dele foi to rpida que ela no pde reagir contra aquela atitude.
Nos braos de James, o corpo de Win estava sendo pressionado contra os msculos fortes do corpo masculino, de uma maneira irresistvel. Ela podia sentir o corao 
dele batendo bem prximo ao dela, quase parecendo apenas um.
Mesmo com seu crebro parecendo estar funcionando de modo mais lento, Win registrou o fato de que uma das mos de James estava deslizando sobre suas costas suavemente.
Um fluxo de sensaes familiares iam clareando-se nos pensamentos de Win, deixando-a em pnico.
Ela estava nos braos dele novamente, sentindo as mesmas emoes de tempos atrs e desfrutando do contato forte e msculo daquele homem que um dia fora o seu grande 
amor. Havia sido?
Win estava curiosa de saber se o contato seria diferente do que j sentira antes. Mas era uma mulher, e no uma cobaia, no podia se deixar levar por emoes que 
no passado a fizeram sofrer tanto. S de chegar to perto dele j sabia que podia perder-se novamente naqueles braos.
- Ele faz isto com voc, Win?
Assim que fez a pergunta, James tocou levemente o ombro de Win com a lngua, quase encostando-a no pescoo dela, fazendo-a relembrar sensaes e sentimentos que 
pensava ter esquecido.
-  Ou isto?
Os lbios de James tocaram rapidamente a orelha de Win, e em seguida ele mordeu suavemente a ponta da orelha dela. Com uma das mos, James afagava-lhe carinhosamente 
os cabelos.
Uma voz dentro de Win falava para ela se afastar dele, mas seus sentidos agiam contra aquela voz, permitindo que tudo aquilo acontecesse.
Como num filme de amor, Win percebeu os lbios de James se aproximando dos dela e esperou trmula e ansiosa o contato to querido. Era um momento mgico, James beijou-a 
profunda e intensamente.
Win sentia seu corpo tremer de emoo e de desejo em contato com o corpo de seu ex-marido. Que ironia, ela pensou, quando achava que no havia mais nada entre eles, 
a chama se mostrava acesa, renascida, queimando como um amor de adolescente. S que, agora, era uma mulher madura, e saberia lidar perfeitamente com suas emoes.
Subitamente, ela colocou a mo dentro do robe de James e comeou a acariciar desesperadamente o peito dele como se nunca o tivesse tocado antes.
Nenhuma mulher poderia se esquecer daquele homem, ainda mais a mulher que experimentara todos os prazeres sensuais que ele lhe proporcionara no passado, todos os 
desejos, as emoes e as fantasias.
Win tentou interromper o doce tormento que ele lhe produzia, pedindo que no a tocasse, que no a beijasse, mas no conseguiu e, de algum modo, enviou a mensagem 
errada, pois cada segundo que passava, ele a beijava e a abraava com mais intensidade.
Ela havia esquecido o que era ser beijada com tanta intimidade por um homem, pelo homem que conhecia todas as curvas de seu corpo e sabia de todas as necessidades 
de seu esprito, um homem que sabia exatamente como excit-la e complet-la.
- Win... Win...
Ela podia sentir seu corpo queimando de desejo ao ouvir a voz sensual de James sussurrando em seu ouvido.
Enquanto beijavam-se, Win acariciava o corpo de James, e, com mos ansiosas, ele abria os botes do pijama dela, deixando-lhe os seios livres para serem acariciados.
Win estremeceu quando James tocou o bico de seu seio com a lngua.
Ela quis fechar os olhos para se perder na sensao do momento, mas algo a forava a v-lo tocando-lhe a pele.
Win apreciava olhar o movimento que James fazia ao passear a boca sobre seu corpo, deslizando a lngua pela sedosa pele dela. Na penumbra do corredor, a nica coisa 
claramente visvel era o brilho nos olhos de James, o que fazia seu corao bater mais forte.
James disse o nome de Win novamente e, em seguida, carregou-a e levou-a para o quarto onde ele estava dormindo. O quarto que h muito tempo ela dividira com ele, 
e onde, muitas vezes, sentiu-se, angustiada por dormir sozinha.
Tentou protestar, fazer alguma coisa antes que chegassem a um ponto em que no poderiam retornar, mas, quando James pousou-a na cama, permaneceu calada diante da 
determinao dele e do prprio desejo.
O corao de Win parecia que ia saltar do peito de to forte que batia. Ela estava totalmente envolvida pela emoo do momento.
Sentimentos que pensou jamais sentir novamente tomavam conta de seu corpo.
Buscando um contato maior, viu-se tirando o robe de James, e ele, sem pestanejar, imediatamente tirou toda a roupa dela.
Win delirava cada vez que James tocava seu corpo nu, passeando as mos msculas por seus seios, cintura e pernas.
Aquilo no poderia estar acontecendo. Ela no poderia estar ali daquele jeito com ele. Era errado, perigoso. Win poderia se machucar novamente, do jeito que acontecera 
no passado.
As palavras se repetiam na mente de Win como um refro, mas seu corpo fugia do controle da mente.
De repente, ela percebeu a verdade que havia escondido de si mesma durante anos. Ela ainda o amava.
O reconhecimento chegou a doer no corao de Win, mas ela continuava ouvindo James dizer palavras doces e apaixonadas, o que permitiu suavizar a angstia que insistiu 
em tomar conta de seu corao.
Antigamente, Win chocava-se com a maneira direta e explcita de James revelar o que sentia e desejava, mas conforme se entregava quele homem maravilhoso foi se 
recordando que o jeito de ele falar enquanto faziam amor era extremamente! normal.
-  Oh, Deus! Voc ainda  a mesma, querida! Voc  maravilhosa, incrvel...
Momentos mais tarde, uma exploso de prazer tomou conta dos corpos sedentos de amor de Win e de James, que no desfrutavam juntos daquelas sensaes maravilhosas 
havia muito tempo.
Cansados e satisfeitos, repousaram por algum tempo um nos braos do outro, sem dizer uma s palavra, apenas pensando na grandiosidade do momento que viveram.
- Agora - James comeou a dizer -, fale-me novamente que vai se casar com outro homem e dar a meu filho um novo pai. Ele no quer esse dono de hotel na vida dele, 
Win. Voc sabe, no ?
De repente, Win gelou. Seus olhos se encheram de lgrimas e seus msculos se contraram.
James no fizera amor com ela porque a queria. Como ela fora estpida em pensar que ele a desejava?
O objetivo dele era conquistar Charlie. Sendo ela o nico empecilho, nada mais natural para ele do que conquist-la tambm e, assim, vencer todos os obstculos a 
seus propsitos.
Foi uma atitude muito inescrupulosa, pensou Win.
Ento? tentou imaginar-se como se sentiria se ainda tivesse a inteno de se casar com Tom. Teria sido infiel e desonesta consigo mesma e com o prprio Tom, mas, 
felizmente, Win no tinha mais nenhuma relao com ele.
Bruscamente, afastou-se de James, tentando no pensar no que acabara de acontecer, e sim no sofrido passado quando ele a abandonara sozinha com um beb nos braos.
Naquele momento, Win sentiu o rosto queimar de vergonha, pois se entregara a um homem que no a amava e que s estava pensando em seus prprios planos, sem levar 
em conta que poderia destru-la, ao tirar-lhe o filho. Para ele, sua felicidade nem ao menos estava sendo questionada.
Furiosa com as atitudes egostas do ex-marido, Win olhou fixamente para ele e disse:
-  Sei o que est tentando fazer, James.  bom que fique bem claro que est perdendo seu tempo!
Win tentou levantar-se da cama, mas James a deteve. Mais uma vez fora iludida, Win pensava, amargurada.
-  Sei exatamente por que voltou aqui e exatamente o que est esperando, mas no vai adiantar.
- E esta noite? - James perguntou, com ar desnorteado. Win ficou pensativa por alguns instantes, olhou fixamente para ele e concluiu:
- Esta noite nunca existiu!


CAPTULO IX

Esta noite nunca existiu. Foram as primeiras palavras que vieram  mente de Win quando acordou na manh seguinte. Profundamente decepcionada, ela se recriminava 
por ter cedido to facilmente aos assdios do ex-marido. Conhecia bem James para saber que quando ele queria algo se empenhava at as ltimas consequncias. No 
podia tambm culp-lo por sentir-se ainda to atrada por ele. Esse era o ponto. Depois de tantos anos longe dele, achava que poderia estar imune ao charme e ao 
magnetismo que a fizera apaixonar-se to intensamente. E tambm acreditara que era amada da mesma maneira, da a sua frustrao. Se ao menos acontecesse um milagre, 
e ele confessasse que a queria tanto quanto ao filho... Ser que o amor de James por ela realmente havia existido? Win sentiu o olhos pesados, a cabea zonza e todo 
seu corpo dodo, como se necessitasse de mais algumas horas de sono.

Acordou Charlie, como fazia todas as manhs, mas ao ver os olhos vermelhos do filho que deveria ter chorado grande parte da noite, achou melhor ele no ir  escola 
aquele dia. Ento, desceu para preparar o caf.
Estava entretida preparando o desjejum, quando viu James entrar na cozinha.
Ainda furiosa pelo que acontecera, Win ignorou a presena dele e continuou com seus afazeres.
Procurou ignorar tambm as sensaes estranhas que percorriam seu corpo.
No era fcil manter aquela atitude, mas Win esforou-se muito para no perder o controle e a calma, pois mostrar fraqueza ao ex-marido seria pssimo.
No se cansava de indagar-se como poderia ter continuado amando-o todos aqueles anos sem saber.
Achava que o destino havia lhe pregado uma pea, justamente quando se preparava para mudar de vida e estava com a mente aberta para receber as atenes e o amor 
de outro homem. Se bem que, sendo bem honesta consigo mesma, tinha de reconhecer que o destino agira na hora certa, antes que se comprometesse definitivamente com 
Tom. Da teria de conviver com mais um erro em sua vida. James a salvara de cometer um engano do qual no sairia sem sofrer muito.
Win no era mais uma criana para achar que o que sentia por James era apenas desejo sexual, ao contrrio, era madura o suficiente para ter certeza de que realmente 
o amava.
Aquele sentimento era muito doloroso para Win. Ter descoberto que sentia por James um amor intenso e verdadeiro era como passar por todo o sofrimento do passado 
novamente.
Enquanto terminava de preparar o caf, Charlie acordara e se aprontara para ir  escola.
Win resolveu no dizer absolutamente nada, pois se o filho sentia-se bem para sair poderia at ser uma distrao para ele. Ajudaria a afastar os pensamentos dolorosos 
sobre o acidente.
Charlie perguntara a Win se ela o levaria  escola.
Win estranhou a atitude dele, mas concordou sem hesitar.
- Podemos ir agora? - perguntou Charlie, deixando de lado o caf que nem havia tocado.
Ela podia perceber James observando-os com um olhar que era um misto de inquirio e surpresa. Nenhum dos dois lhe dirigiu a palavra, e tampouco ele se manifestou.
- Quero ir andando - continuou Charlie.
- Andando? - Win questionou, lembrando da longa distncia de sua casa at a escola.
Win achou melhor no contrari-lo. Se insistisse em lev-lo de carro, talvez perdesse esta oportunidade de estar um pouco mais ao lado do filho. Afinal, no era 
do que se queixava desde que James viera morar com eles?
Ela podia entender que Charlie estava traumatizado, e queria lidar com este fato da melhor maneira possvel.
Sem colocar o que realmente estava pensando, Win terminou rapidamente de tomar seu caf e se preparou para acompanh-lo.
- Sim, sim,  claro que podemos ir andando - assegurou Win o mais calma que pode.
James observava-os, e podia-se ver que se continha para no interferir, mas no o conseguiu por muito tempo.
-  Charlie, sua me ainda no terminou o caf dela. Por que eu e voc...
- No! Quero que a mame me leve.
Win ficou admirada com o modo brusco que Charlie falou com o pai.
- Certo - disse Win -, eu no quero mais comer. Suba e termine de se arrumar enquanto pego meu casaco.
Desde que James havia chegado, Charlie passara a t-lo como companhia constante, Win se ressentira um pouco, embora achasse natural a atitude do filho, por isso 
se espantou com as palavras que ouviu de James assim que Charlie subiu:
- Voc no est agindo corretamente com ele, sabe disto. No ir ajudar em nada fazer-lhe todas as vontades.
- O que acha que devo fazer, ento? For-lo a ir de carro?
- Ele  muito apegado a voc. Isto no  bom para ele, na idade em que est, formar conceitos equivocados. Poderia ao menos ter feito ele esperar voc acabar de 
tomar seu caf. No deve agir como se estivesse lhe fazendo um favor, Win.
Win sabia que James estava certo, mas no queria admitir. Doa-lhe reconhecer que precisava de algum para aconselh-la a agir de forma mais natural com o prprio 
filho, mesmo que esse algum fosse o pai dele.
- Voc est com cime - protestou Win.
- Estou preocupado,  muito diferente. Charlie  meu filho tambm. Esse  um sentimento que seu namorado jamais sentiria, pois ele no quer Charlie por perto.
Ela no conseguia entender por que James ainda atacava-a sempre citando o nome de Tom, pois nunca mostrara nenhum interesse na vida pessoal dela.
Pouco depois, Charlie desceu, pronto para ir ao colgio. 
O percurso at a escola era longo, o que fez Win chegar atrasada ao servio.
Era o comeo de uma semana muito difcil, pois Charlie se tornava cada vez mais agressivo, e James cada vez mais distante.

Quando Win e Heather se encontraram para a costumeira aula de aerbica, Win aproveitou para desabafar com a amiga e contar-lhe os ltimos acontecimentos desde que 
o ex-marido voltara a viver sob o mesmo teto que ela e o filho.
-  Charlie quase teve um acesso de fria quando eu falei que ia sair. No sei mais o que fazer, Heather.
- O que James acha?
- James?
- E claro, James  o pai de Charlie, e voc me falou que ele estava adorando ter o pai por perto at pouco tempo atrs.
- Sim,  verdade, mas agora a situao mudou. Charlie se distanciou do pai, e James acha que devo me afastar um pouco dele para no deix-lo muito dependente.
- No vai deixar que ele controle sua vida, no ? Se bem que eu no devia me intrometer.
Win olhou para Heather.
- Oh, vamos l, Win. J nos conhecemos o suficiente para no haver melindres entre ns. Charlie  possessivo em relao a voc e isto  compreensvel, mas ele  
um garoto exigente e no quer ningum mais alm dele na sua vida. Acho que ele no admite a ideia de ter que dividir voc com algum e ter presenciado o acidente 
s piorou, pois deu a ele a impresso de estar perdendo voc.
- Mas ele no tem o que temer. Acho que j lhe falei que eu e Tom...
-  Quem est falando de Tom? Estou falando de James. Para Charlie, ter o pai por perto significa guerra, pois ele comeou a perceber que James no  to amvel com 
ele como voc sempre foi e que no ser to fcil tir-lo de sua vida como foi com Tom.
- Tir-lo da minha vida? Mas ele no est nela.
-  Ele est vivendo com vocs, no est? E voc ainda o ama, no ?
-  to bvio assim?
-  No totalmente. Pode-se dizer que foi pressentimento. No posso censur-la, Win, ele  um homem e tanto!
Win sorriu para a amiga, mas sentia o corao apertado, no por Heather ter descoberto o que ela sentia era relao a James, mas pelo que falara de Charlie.
Win conhecia muito bem Heather para saber que a opinio dela era justa e imparcial. E se o que Heather dissera fosse verdade, ela teria de encontrar uma forma de 
ajudar Charlie a entender que ela era uma pessoa, um indivduo, com sua parcela de necessidades prprias. Havia certas coisas que tambm eram importantes na vida 
dela. Mas como faz-lo entender?
Win ficou tensa quando lhe veio  mente que ela deveria falar com James para ajud-la a esclarecer a situao. Mas se ela pedisse a ajuda de James, Charlie poderia 
se afastar ainda mais do pai, no entanto sabia que, para ela, seria muito difcil falar sobre maturidade e individualidade com o filho,
Charlie precisava de James. Ele precisava do pai. Win admitiu a si mesma.
Mas Charlie tambm precisava dela, o que significava que teria de encontrar uma maneira de conseguir aproximar Charlie do pai e dela, e no deixar que ele sofresse 
com a hostilidade existente entre os dois.
O que Win sentia por James no era hostilidade, e sim amor. Mas ela no deixaria Charlie perceber seus sentimentos por ele, pois isso s iria prejudicar o relacionamento 
dos dois, que j no andava bom.
Win no precisava que ningum lhe dissesse como se sentia em relao a James. Sabia que no momento em que o beijou, no momento em que ele a tocou, alguma coisa dentro 
dela j sabia daquilo.
A nica coisa que Win no conseguia entender era por que aquele amor no fora destrudo depois de tudo que James fizera.
Na verdade, aquele amor havia sido enterrado no fundo de seu corao, mas quando James voltou, Win no teve alternativa seno deix-lo desabrochar.
No conseguia entender o motivo daquele homem mexer daquela maneira com o equilbrio emocional dela depois de tanto tempo distante.
Por um momento, Win se censurou, pois se nunca tivesse amado James, nunca teria tido Charlie, e o filho era a razo de sua vida.
Por que a vida tinha de ser to dolorosa e to complicada? - perguntou-se Win.


CAPTULO X

Ter de admitir que precisava da ajuda de James para conversar com Charlie era uma coisa muito difcil para Win, alm de ter de criar coragem e encontrar uma oportunidade 
para esclarecer os fatos com o ex-marido.
James parecia cada vez mais distante e indiferente, o que fazia com que ela ficasse perturbada, pois havia se entregado totalmente a ele, passara uma noite apaixonante 
nos braos dele.
Mas tinha Charlie, e o futuro dele era muito mais importante que seu prprio orgulho.
Alm do mais, Charlie era a razo pela qual ele voltara. James o amava e certamente no se recusaria em ajud-lo.
Charlie estava cada dia mais agressivo e intolerante, deixando Win cada vez mais preocupada.
Charlie sempre evitava deixar Win sozinha com James, e ela comeou a acreditar seriamente no que a amiga falara.
A situao estava se tornando cada vez mais difcil, e Win sempre desabafava com Heather,
- Se voc quiser, eu posso pedir para Rick conversar com ele - Heather sugeriu.
Mas ela recusou a sugesto, pois seria muito doloroso para James saber que o filho preferira falar sobre os problemas dele com um outro homem.
Mas por que se preocupava com o que James poderia sentir? Ele nunca havia se preocupado com ela, ou havia?
Alm dos problemas em casa, Win estava tendo problemas no servio tambm.
Tom vivia criticando e desfazendo quase tudo que ela fazia.
Sempre que estava no escritrio sozinho com Win, fazia comentrios maldosos sobre ela e James estarem vivendo debaixo do mesmo teto.
Ela procurava ser o mais razovel possvel para no perder o controle e no deixar que seus sentimentos transparecessem.
Win comeou a pensar seriamente em procurar um novo emprego.
Eram quase sete horas quando Win deixou o hotel aquele dia, sabendo que no dia seguinte teria de enfrentar novamente as mesmas situaes.
Exausta, saiu do carro e caminhou para casa.
Charlie e James estavam sentados na cozinha, onde Charlie olhava furioso para o pai e para um prato de comida bem  frente dele.
A hostilidade que emanava de Charlie era muito visvel, e o corao de Win disparou ao ver fria nos olhos do filho e a determinao nos de James.
- Qual  o problema? - Win questionou.
-  Ele disse que tenho de comer isto, e eu no quero - contou Charlie.
Win observou o prato e notou que era uma das comidas favoritas de Charlie.
- Refira-se a seu pai com respeito, Charlie, e no por "ele". Por que no quer comer presunto?  um dos seus pratos favoritos.
- Est gelado.
Do outro lado da mesa, James soltou um suspiro. Win percebeu que ele estava irritado, mas Charlie olhava-a parecendo to indefeso e dependente...
- Bem, por que isso, Charlie? - Win perguntou.
- Ele no cozinhou do jeito que eu gosto. Queria que voc tivesse cozinhado para mim. Voc disse que ia voltar mais cedo para casa...
- Eu tentei, Charlie. Mas no pude vir antes. Parece que seu presunto est no ponto certo para ser comido.
-  Foi muito bom seu pai ter feito a sua refeio e...
-  Eu no pedi para ele fazer - Charlie interrompeu-a antes que terminasse a frase. - No quero ele aqui, interferindo em tudo e dizendo-me o que devo fazer. Era 
muito melhor quando era apenas eu e voc, me.
Antes que Win pudesse dizer alguma coisa, Charlie puxou a cadeira e saiu da cozinha.
Win sabia que deveria cham-lo de volta e faz-lo pedir desculpas ao pai, mas no o fez.
Depois que certificou-se de que ele havia ido, olhou para James e disse:
-  Sinto muito, James. Eu...
- No acho que sinta. Voc sempre deixou bem claro que no queria que eu fizesse parte da vida dele. Alm do mais, nunca fez nada para facilitar a relao entre 
ns trs. Agora no adianta reclamar.
James levantou-se bruscamente da cadeira e concluiu:
- No tenho mais nada para falar com voc. Preciso sair. Depois que James saiu, Win ouviu os passos de Charlie descendo e caminhando at a cozinha.
-  O que h de errado, Charlie? - ela perguntou assim que o filho entrou. - Pensei que quisesse seu pai aqui.
- No incio eu queria, mas no quero mais. Quero que seja somente ns dois como era antes. No quero ningum mais morando com  gente, me.
Win olhava para o filho, angustiada por ouvir aquelas palavras.
-  Se alguma coisa acontecer com voc, se... houver um acidente, eu teria de morar com ele?
Win sentiu um grande aperto no corao. No s por Charlie, mas por James tambm. Ela se aproximou do filho, sentou-se ao lado dele, acariciou-lhe os cabelos e disse:
-  Charlie, eu no posso prometer que nunca acontecer um acidente, embora eu possa prometer que farei o possvel para que no acontea. Voc  grande o suficiente 
para entender isto. Se algo me acontecer, seu pai  legalmente seu tutor, mas, se quiser, pode escolher viver com a vov e o vov, ou com um dos seus tios.
- Mas eles moram longe, e eu quero ficar aqui.
- Sua tia Heather sempre falou que poderia cuidar de voc se eu quisesse.  isso que voc quer, Charlie, ir viver com Danny?
- No quero morar com ningum a no ser voc.
- Eu sei, amor, eu sei.
Win tambm sabia que todas aquelas perguntas e o medo que Charlie estava sentindo eram em consequncia da angstia que sentira ao presenciar o acidente.
- No quero que voc se case outra vez, me. E nem que tenha outra criana. Quero que sempre seja eu e voc.
-  Oh, Charlie!
No era o que ela queria, no depois de ter descoberto o que sentia por James, portanto, aquele, portanto, aquee tipo de promessa seria intil.

Deveria ser muito tarde quando James voltou, pois Win no o escutou.
Win administrou o horrio para um breve almoo para poder ir se encontrar com Heather e contar o que acontecera.
- Parece-me que ele est sofrendo uma crise de cime de adolescente. Todos agem assim nesta idade, rebelando-se contra a autoridade masculina. No caso de Charlie, 
 pior, pois ele sempre se considerou o homem da casa.
- Ele foi to rude com James, to agressivo...
- Voc j discutiu isso com James?
-  Ele saiu a noite passada e, quando voltou, eu estava dormindo. Sinto-me to culpada, Heather. James pensa que eu coloquei Charlie contra ele, e eu no fiz isto. 
Na verdade...
- Na verdade, voc gostaria que os dois se entendessem.
-  Sim. Sei que falhei com Charlie em algumas ocasies, que se ele sentisse segurana e confiana, ele no teria necessidade de querer afastar as pessoas da vida 
dele. Sei que parte desta insegurana foi despertada com o acidente...
- Mas o que a preocupa  o fato de ele no querer dividir voc com mais ningum, nem mesmo com o prprio pai.
-  Sim - concordou Win, olhando para o relgio. - Oh, Deus! Preciso ir.
Ao voltar para casa no fim da tarde, no viu o Daimler de James, mas sabia que ele estava procurando propriedades comerciais para poder transferir os negcios da 
Austrlia.
Charlie avisou-a que ia ver Danny, e Win lembrou-o para no demorar.
Dirigiu-se para a cozinha determinada a fazer um caf e, quando se sentou em uma cadeira, notou um bilhete em cima da mesa. 
Era a letra de James.
Win pegou o envelope e abriu-o rapidamente.
James decidira que seria melhor para todos ele sair da casa, escrevera. Avisava que estava hospedado em um hotel local e que talvez decidisse a no voltar a morar 
naquela cidade.
A notcia deixou Win chocada.
Lgrimas rolaram-lhe pela face.
Uma grande tristeza a invadiu. A possibilidade de perder James outra vez, agora que descobrira que ele a completava, deixou-a em pnico.
Win pegou o telefone, discou o nmero de Heather e pediu para a amiga ficar com Charie durante a noite.
- Aconteceu algo muito importante. Charlie est a? 
Charlie foi agressivo quando ela disse que ele passaria a noite com Danny.
- Vai sair com Tom? - perguntou,
- No. H algumas coisas que preciso esclarecer com seu pai. Win teve de fazer vrias ligaes para descobrir onde James estava Hospedado.
Assim que descobriu o nome do hotel, Win pegou o carro e saiu.
Para sorte de Win, a recepcionista do hotel era inexperiente, e quando Win anunciou-se como sra. Gardner, ela ficou feliz em entregar-lhe a chave com o nmero do 
quarto de James.
Win sentia o corao batendo descompassadamente conforme se dirigia para o quarto de James.
Podia imaginar como ele a receberia, mas no estava se importando. Naquele momento, o fato era que Charlie precisava do pai na vida dele e era no que precisava pensar.
James amava o filho.
Ela bateu  porta.
James acabara de sair do banho e estava com os cabelos molhados.
Win desejou abra-lo, beij-lo intensamente, mas lembrou-se do motivo pelo qual estava ali, e esforou-se para encontrar os olhos dele.
-  Win! O que...
- Vim para conversar sobre Charlie - ela disse, antes que ele pudesse falar algo.
- Acho que j falamos tudo, ou ao menos Charlie falou por ns, no ?
- Ele precisa de voc, James. Sei que pode parecer o contrrio, mas est passando por um momento muito difcil. Ele no quer a presena de outro homem na nossa vida, 
mas...
- Por favor, Win - interrompeu James. - Ele no  mais uma criana e exps as ideias dele muito claramente. No posso censur-lo por isto. No lugar dele, sem dvida, 
eu agiria da mesma forma. Ele j pensava desta maneira quando me escreveu dizendo que no queria que voc se casasse com o dono do hotel.
James permaneceu em silncio por alguns segundos e depois continuou:
- Achei que ele poderia estar com medo de Tom maltrat-lo ou que se sentisse desprezado pela criana que voc teria com ele. Estupidez minha, no  nada disso. Mas 
somos inteligentes o suficiente para ver que no adianta querer mudar a situao. Ele tem uma personalidade muito forte.
Win desejou que James se referisse a noite de amor que haviam passado juntos, mas ele no comentou absolutamente nada.
-  No v que ele est se comportando desta forma para provar quanto precisa de voc na vida dele? Voc rejeitou-o quando ele era beb. Por favor, no faa isto 
novamente. Quando voc voltou, no quis dar o brao a torcer e reconhecer que voc seria importante na vida dele, mas agora...
- Agora comeou a ver que pede ser vantajoso - James interrompeu-a ironicamente -, precisa de mim para poder construir uma vida com Tom sem Charlie por perto.
- No! Eu amo Charlie! Como pode dizer uma coisa desta?
- Voc pode am-lo, mas seu noivo certamente no.
- Meu o qu? Ns no estamos juntos. Na verdade...
- Na verdade o qu?
- Eu e Tom descobrimos h algum tempo que nosso relacionamento no iria dar certo. Eu sabia que eles no se davam muito bem, mas no fazia ideia de que Tom fosse 
to egosta em relao a ele at...
- At eu bater  sua porta. Ele deve ter me odiado, e, ao mesmo tempo, Charlie comeou a me desprezar.
- Charlie nunca te desprezou. Muito pelo contrrio, ele sempre te achou um verdadeiro heri.
- Por que est agindo to indiferente em relao a mim?
- O acidente pertubou-o, James. Charlie me perguntou a noite passada o que aconteceria a ele se eu... sofresse um acidente.
- 0 que respondeu? Que seria necessrio viver comigo mesmo que no quisesse?
- No fale bobagens! O que quero que entenda  quanto  importante voc continuar fazendo parte da vida dele. Ele  seu filho, James!
-  Voc fala como se fosse fcil. O melhor que eu posso fazer neste momento  voltar para a Austrlia.
Win teve de se apoiar para no cair. Teve vontade de chorar e implorar para ele no fazer aquilo, mas permaneceu como estava, pois o choque deixou-a esttica.
-  a melhor coisa a fazer, Win. Enquanto ele pensar que sou algum tipo de ameaa na relao dele com voc, no tenho condies de ficar aqui.
- O que est querendo dizer?
-  Quero dizer que Charlie, como qualquer outro homem,  muito esperto para sentir qualquer tipo de ameaa ao que ele considera territrio dele. A razo de Charlie 
no me querer na vida dele, Win,  que ele no me quer na sua.
Ele estava dizendo que havia descoberto o que ela sentia por ele?
- Se voc o ama realmente, entender. Ele precisa de voc, James. Ele precisa de voc para mostrar-lhe como  ser homem. Eu no posso fazer isto. Precisa de voc 
agora muito mais que quando ele nasceu. Voc deu s costas para ele aquela vez, por favor, no faa isto agora. Ele  seu filho. Sei que no me quer na sua vida, 
mas Charlie...
- O qu?
O tom de voz de James deixou Win confusa.
- O que voc disse? - perguntou James novamente.
- Disse que Charlie precisa de voc.
-  No, O que disse sobre eu no a querer?
Win olhou para a janela, tentando desviar o olhar de James, pois temia a humilhao que poderia sofrer.
- Sei que no me quer na sua vida... James caminhou na direo dela.
Quando James parou  frente de Win e segurou-a pelos braos, ela sentiu todo seu corpo estremecer.
- Pelo amor de Deus, o que est falando? Sabe muito bem que isto no  verdade. Sempre falou que sabia por que eu havia voltado da Austrlia e o que eu queria. Que 
tipo de jogo est tentando fazer? J percebeu o que est fazendo comigo, vindo aqui, falando-me de Charlie... que meu filho precisa de mim, que me quer, fazendo-me 
enlouquecer porque sabe que no tenho o controle das emoes enquanto fica a parada, to fria e controlada, quando sabe...
James calou-se.
Fria e controlada? Ele no percebia quanto estava tremendo?
- Por Deus, Win, voc no sabe o que significa para mim ter de me controlar para no te abraar, beij-la, fazer amor com voc...
James suspirou profundamente.
- De modo algum Charlie me quer por perto. Ele sabe exatamente o que sinto por voc. Por isso,  to difcil para ele me aceitar de volta no s na vida dele, mas 
na sua tambm.
Win no podia acreditar no que estava ouvindo.
- Eu amo voc, Win. Oh, Deus, como amo!
- Voc me abandonou por causa de outra pessoa.
- No. Nunca faria isto.
- Ento o que me diz de Tara?
-  Oh, Tara me queria, certo, mas eu nunca a quis, nem mesmo por um segundo. Meu grande erro foi deix-la saber disto. Outro, foi ter ficado bbado e concordado 
que ela me levasse para casa, s que, em vez de ela me levar para a nossa casa, levou-me para o apartamento dela. Foi um dos maiores choques da minha vida quando 
acordei na cama dela, e percebi que ela estava a meu lado. Mas nada aconteceu.
- Como sabe se estava bbado?
- Foi por eu estar to bbado que nada poderia ter acontecido.
-  Mas voc concordou quando eu pedi o divrcio. Nunan tentou impedir nada...
-  Oh, Win.
James passou a mo no rosto dela.
-  Se eu beijar voc agora, no vou conseguir parar mais. No posso viver assim, nem mesmo por Charlie. Eu te amo muito, ser que no v? J sabe o que ir acontecer 
se eu ficar por perto, portanto, preciso ir.
- Mas... quero que fique.
-  Por Charlie.
- No... por mim. Nunca deixei de te amar, James!
- Nunca? Voc nunca me amou, Win. Como pode dizer isto? Voc era uma criana. Deus, ser que nunca ficarei livre da culpa de ter te amado? Arruinei sua vida. Amei 
muito voc e fui to egosta que ignorei tudo que os outros falavam, que voc era imatura, que se eu realmente a amasse esperaria mais um tempo, que eu no deveria 
usar o desejo sexual para firmar um relacionamento...
-  No era assim. Eu queria me casar com voc.
- Voc queria era fazer sexo comigo.
Win olhou-o, admirada.
-  Win, no h nada para se admirar. Se seus irmos no tivessem sido to protetores, voc teria descoberto antes de me conhecer quanto sexo  importante e bom na 
vida do ser humano, mas como eles te protegiam ao extremo, acreditou que me amava.
Win permanecia calada, ainda espantada com o que James falava.
- Eu sabia disto, mas resolvi ignorar. Foi meu erro. Minha culpa, no sua. Deveria t-la convencido a esperar mais tempo para nos casarmos, mas tive muito medo de 
te perder e acabei fazendo o contrrio.
-  Eu quis me casar com voc - Win protestou.
- No incio. Mas depois mudou de ideia, no ? Depois que ficou grvida. Nunca vou me perdoar por isto.
-  Nunca vai se perdoar?
- Voc era uma criana. Uma criana com corpo de mulhei que estava carregando um filho meu na barriga.
- Eu tinha dezenove anos.
- No estou falando de sua idade, Win. Ainda  muito jovem. Odeio-me pelo que fiz a voc. Por falta de cuidado meu aquilo acabou acontecendo. Mas como eu quis que 
vocs continuassem pertencendo a mim!
Win no podia acreditar no que ouvia.
- Mas me odiou por eu ter ficado grvida. Quase no me olhava. E na cama...
- No era voc quem eu odiava. Era a mim.
-  Mas ficou to zangado quando Charlie nasceu. Quando ele chorava, quando...
- No com voc, Win, mas comigo mesmo, porque ele foi um peso que voc no precisava ter carregado. Sua famlia estava certa, eu no poderia os ter censurado. Quando 
voc disse que no me amava mais e que queria o divrcio, sabia que eles estavam certos. Senti como se tivesse tirado sua juventude, sua liberdade. No poderia mais 
viver com aquela culpa, por isso lhe dei o divrcio e me afastei de voc e de Charlie. Desta forma, poderia fazer suas prprias escolhas. Foi a coisa mais difcil 
que j tive de fazer.
Win notou que os olhos de James estavam lacrimejando conforme ele falava.
- Meus pais enviaram-me fotos de vocs, sua famlia me escreveu, e cada ano que passava eu sentia mais falta de voc. Ento, quando Charlie estava com seis anos, 
meus pais me enviaram um carto de Natal que ele escrevera para mim. No pude me conter, tive de entrar em contato com ele e com voc.
Win se lembrava daquele Natal. Fora um pouco antes dos pais de James terem se mudado. Charlie perguntara sobre o pai, e Win respondera s perguntas o mais sincera 
que pde.
Win se lembrava de como chorara quando Charlie mostrou-lhe o carto que havia feito na escola para o pai.
- Ento j sabe por que no posso ficar? No  por Charlie. Sou incapaz de cuidar de vocs. Sou to ciumento quanto o dono do hotel, e mais do que Charlie poderia 
ser. Alguma coisa dentro de mim se recusa a aceitar que voc no  minha.
- Engraado! Sinto exatamente a mesma coisa.
James olhou para Win por um momento, duvidando e hesitando, mas, ao mesmo tempo, demonstrando todo o amor que sentia por ela por meio do olhar.
O corao de Win disparou, ela se aproximou dele, tocou-lhe a face e beijou-o com intensidade.
Win nunca antes tomara a iniciativa e, por um instante, achou que estava fazendo a coisa errada.
Mas sentiu-se recompensada ao ser envolvida pelos braos dele.
Depois de alguns minutos, ele perguntou:
- Onde est Charlie?
-  Charlie est bem. Est na casa de Heather.
Win notou a expresso maliciosa no rosto de James e concluiu que estava certa assim que ele a empurrou para a cama.
- No. Aqui no. Vamos para casa.
Decidiram ir para casa, fazer amor no mesmo quarto, na mesma cama que Charlie fora gerado.
Aquela seria uma noite muito especial, mas no seria apenas uma noite que eles teriam juntos, e sim todas as noites para o resto de suas vidas.
Eles fizeram amor com muita paixo e desfrutaram de sentimentos e sensaes de uma maneira que Win jamais imaginara que fosse possvel acontecer.
Eram dez horas da noite quando James perguntou a Win:
- Quer ir pegar Charlie? Win olhou-o e respondeu:
- Gostaria. Mas ns no vamos. Esta noite  nossa, James.
- Voc sabe que Charlie no vai ficar feliz, no sabe?
- No incio, no, mas voc  pai dele.
- Sim, e voc  a me, e quando ele descobrir que vamos nos casar novamente e que eu vou ficar aqui...
Aquele "casar novamente" fez o corao de Win bater mais forte.
- Pode ficar tranquilo que certamente daremos um jeito.
-  E claro. Agora venha aqui para assegurar-me que isto no  nenhum sonho.
James abraou Win com muito amor e carinho, dizendo: - Oh, no! Voc parece suficientemente real. Win comeou a beij-lo, a acarici-lo lentamente por todo o corpo, 
at que James olhou fixamente para ela e falou, sorrindo:
- Sabe o que vai acontecer se no parar com isto?
- No! - mentiu Win. - Mostre-me.

Win precisou das lembranas daquela noite para poder se sustentar nos meses seguintes.
Charlie no reagiu bem quando ela falou que ia se casar com James. E, ento, duas semanas antes do casamento, ele fugiu de casa.
Foi James quem o encontrou perto da rodovia principal. Quando o trouxe de volta, Charlie no resistiu e chorou de maneira descontrolada, como nunca fizera antes.
Win sentiu-se muito magoada, e James a confortou:
- Ele ama a ns dois, mas sempre teve apenas voc na vida dele, e parte dele ainda no quer dividir voc com ningum.
-  Como ele pde me chantagear fugindo de casa?
- O sexo masculino  assim mesmo. Especialmente quando  motivado por cime.

Fora um casamento perfeito, mas sem lua-de-mel. James havia prometido que os levaria para uma viagem depois de algum tempo, pois estava muito ocupado com o novo 
negcio.

Win andava se sentindo cansada em tudo que fazia, at mesmo quando fazia amor com James, precisava fazer um grande esforo.
Quando contou a Heather, a amiga questionou:
- Voc no est grvida, est?
- Grvida?
Por vrias razes, aquilo no poderia ter acontecido. A me de um filho de quase doze anos grvida?
Pela segunda vez, Win se torturou para contar a notcia, mas no para James, pois sabia que ele iria gostar, e sim para Charlie.
Como ele iria reagir?
Win escondeu at quando pde a gravidez de Charlie.
No incio, ele ficou desapontado, mas, depois de um tempo, comeou a se interessar pela irm que estava a caminho.

- Certo, Zoe.  hora de dormir - Charlie falou para a irm. Win sentia-se orgulhosa de Charlie que, naquele momento, carregava a irm de dois anos para o andar de 
cima da casa.
- Eu farei isto, Charlie.
- No, me. Pode ficar onde est. Papai no me perdoaria se voc comeasse o trabalho de parto mais cedo.
Win permaneceu na cadeira. Na verdade, estava se sentindo muito cansada. Zoe era muito inquieta para uma garotinha de dois anos de idade, e, na sua terceira gravidez, 
Win sentia-se exausta.
Trs anos atrs se algum tivesse falado que ela iria passar por aquela cena, jamais acreditaria.
Na gravidez de Zoe, Charlie se comportara de modo difcil e rebelde, mas, quando Win entrara em trabalho de parto, ela teve de contar com Charlie para chamar a ambulncia 
e para lev-la ao hospital.
Ele entrara com ela na sala de parto.
 Win jamais esqueceria das lgrimas nos olhos de Charlie ao presenciar o sofrimento dela.
Quando James chegara ao hospital, segurara a mo de Win e dissera seriamente para o filho:
- Venha e fique aqui, Charlie. Segure a mo de sua me. Win ficou surpresa ao notar que Charlie ainda estava no quarto.
- Sim, Charlie, segure minha mo.
Ela sorrira para os dois homens da vida dela.
Zoe tornara-se a estrela de Charlie, que aprendera rapidamente tudo para cuidar de um beb.
Aquele vero, Charlie no se ocupava de outra coisa a no ser da irm. A primeira vez que a garotinha rira, no fora para a me, sim para Charlie, que ficara todo 
orgulhoso com o fato novo.
Foi naquele vero tambm que Charlie contar que havia ficado com medo que ela morresse enquanto estava tendo Zoe.
Win sentira seu corao doer ao ouvir aquilo.
-  muito raro acontecer essas coisas hoje em dia, Charlie.
-  Oh, sim. Sei disto agora, quero dizer, estava l quando ela nasceu.
-  verdade, e sinto muito orgulho de voc, querido. Agora somos uma famlia de verdade.
O novo beb seria uma companhia para Zoe, pois logo Charlie no se interessaria mais por crianas.
Zoe sempre pedia que Charlie lesse histrias para ela na cama, mas Win dizia que ele tinha coisas mais importantes para fazer. Nem mesmo se encontrar com a namoradinha 
era fcil depois do nascimento da pequena Zoe.
Toda vez que Win ia colocar a filha para dormir e abria o livro de histria, a garotinha dizia:
- No, voc no. Quero Charlie.
Win sorria e dizia para Zoe que Charlie tinha de fazer os deveres da escola, pois nem sempre ele poderia estar o tempo todo com ela.
Certo dia, quando Win estava no quarto de Zoe, olhando para a filha e sorrindo alegremente, James entrou no quarto e, ao ver a expresso de Win, no hesitou em perguntar:
- O que aconteceu de divertido?
- Nada realmente. Eu apenas estava refletindo quanto  fcil a segunda vez.
- Fcil? - James questionou, beijando-a no canto da boca. Ela parou de falar porque James continuou beijando-a. Alm do mais, poderia explicar a ele mais tarde, 
muito mais tarde; decidiu assim que foi carregada pelo marido para o lado de fora do quarto de Zoe.

* * * *



PENNY JORDAN vivia se metendo em encrencas na escola por causa de sua dificuldade em parar de sonhar - principalmente durante as aulas de francs. Na adolescncia, 
foi uma vida leitora de romances, mas s lhe ocorreu escrever quando j estava mais velha. - Minhas primeiras seis tentativas foram inglrias... - lembra-se. - 
Mas eu teimei at que consegui terminar um romance. Teve, ento, de reunir toda a coragem para mand-lo a um editor, morta de medo de que fosse recusado. No foi, 
e o resto  histria! Penny  casada e mora em Cheshire, Inglaterra.

